A escalada militar no Oriente Médio ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (29 de julho), após uma série de bombardeios envolvendo Estados Unidos, Arábia Saudita, Iraque e Irã. Ataques aéreos conjuntos de forças americanas e sauditas atingiram bases de grupos ligados ao Irã no Iraque, enquanto Teerã respondeu com mísseis contra uma base dos EUA na Jordânia. A situação eleva a tensão regional e gera impactos nos mercados internacionais de petróleo.
O que aconteceu
- A escalada militar no Oriente Médio foi intensificada por bombardeios dos EUA e Arábia Saudita contra alvos iranianos no Iraque.
- O Irã retaliou, lançando mísseis balísticos que visaram uma base americana localizada na Jordânia, mas foram neutralizados.
- As tensões se estenderam ao Estreito de Ormuz e ao Mar Vermelho, e os preços do petróleo reagiram com forte alta nos mercados.
Os ataques aéreos conjuntos realizados pelas autoridades americanas e sauditas contra bases de grupos ligados ao Irã no Iraque deixaram pelo menos 20 mortos e 32 feridos. A informação é das Forças de Mobilização Popular (PMF), uma coalizão de antigas milícias incorporadas às forças de segurança iraquianas.
Em comunicado oficial, a PMF afirmou que seus combatentes foram atingidos em operações realizadas contra instalações localizadas em sete províncias iraquianas. Fontes ouvidas pela agência AFP disseram que o ataque mais letal ocorreu na província de Nínive, onde pelo menos 10 integrantes da aliança paramilitar morreram. O número de vítimas pode aumentar, segundo autoridades locais.
Por sua vez, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou que aviões de combate americanos e sauditas realizaram ataques de precisão no leste do Iraque contra locais de logística e depósitos de armas de grupos que Washington acusa de ligação com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
Qual a justificativa dos Estados Unidos?
Segundo o Centcom, a operação foi uma resposta a mais de 30 ataques com drones contra forças americanas e infraestrutura energética saudita nas últimas 72 horas. O comando garantiu que as ações iranianas não tiveram sucesso e classificou os bombardeios como uma resposta defensiva.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à Fox News que Washington pretende responder com força todas as ações iranianas. Além disso, confirmou que os ataques americanos e sauditas foram coordenados com o governo iraquiano.
Após os bombardeios no Iraque, o Irã lançou mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia, segundo informações divulgadas pelo jornalista Barak Ravid, da Axios. Um oficial americano afirmou que todos os projéteis foram neutralizados. O Exército da Jordânia também informou ter interceptado cinco mísseis iranianos lançados contra o território do país.
Impactos regionais e fornecimento de petróleo
A troca de ataques provocou reação imediata nos mercados internacionais. Os preços do petróleo registraram forte alta nas negociações asiáticas. O petróleo WTI chegou a subir mais de 3%, enquanto o Brent também avançou diante dos temores de interrupção no fornecimento global.
Em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o Irã também deverá receber um lote de até 400 lançadores portáteis de mísseis antiaéreos fabricados na China, de acordo com informações da Reuters. O acordo, avaliado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões, representa um dos maiores esforços recentes de Teerã para fortalecer sua defesa aérea de curto alcance. O primeiro lote dos equipamentos deve chegar nas próximas semanas.
Outro ponto de tensão envolve o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou ter interceptado três petroleiros que, segundo Teerã, ignoraram advertências e seguiam uma rota considerada irregular. Além disso, o Irã rejeitou uma proposta de divisão temporária do controle do estreito apresentada por Omã, segundo o Wall Street Journal.
Teerã defende manter maior influência sobre a passagem marítima, enquanto Estados Unidos e aliados pressionam por livre circulação internacional. Enquanto isso, aliados do Irã na região também aumentaram a pressão. Autoridades do governo iemenita acusaram os rebeldes houthis de planejarem cobrar pedágios pela passagem de navios no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb, classificando a medida como uma ameaça a uma das principais rotas comerciais marítimas do mundo.