ES: Vereador manda colega ‘fechar a boca’ e ‘ficar caladinha’ em sessão

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O vereador bolsonarista Gilvan da Federal (Patriotas-ES) mandou a parlamentar Camila Valadão (PSOL) “calar a boca” e “ficar quietinha” durante sessão ordinária da Câmara de Vitória (ES) nesta quarta-feira. O parlamentar havia rasgado um papel durante sua fala no púlpito do plenário. Logo depois, Camila afirmou, sem falar ao microfone, que esperava que Gilvan recolhesse a sujeira.

“Você não espera nada, você cala sua boca aí. Está na minha fala. Cala a sua boca, cala a sua boca, cala sua boca. Você está na minha fala. Cala sua boca, fique quietinha”, afirmou o vereador. “Não me mande calar a boca”, rebateu a vereadora.

Em seguida, o presidente da Câmara, vereador Davi Esmael (PSD), interveio e pediu moderação ao vereador, para que prezasse pela “política dos bons costumes”. “Eu não tenho política de bom costume com o PSOL. Não tenho. Quem defende aborto, ‘vacina salva’ e assassinato de criança não tem conversa comigo. Não tem politicamente correto com PSOL comigo, não. Nem com o PT. Então pode calar a boca de vocês, quando eu estiver falando”, disse Gilvan.

Mais tarde, Camila usou o seu momento para falar no púlpito para se defender. “A única coisa que falei foi ‘espero que sim’ em referência aos papéis que ele rasgou e disse que iria limpar. Eu disse isso fora do microfone, sem levantar a voz e sem o interromper”, explicou a vereadora.

“De nada adianta fazer homenagens às mulheres, dizer que aqui não tem violência sendo que a violência está todos os dias aqui. E o nome disso é violência política de gênero que tem o objetivo de silenciar as mulheres, de intimidar as mulheres que ocupam os espaços de poder. Mas esses gritos não me intimidam”, continuou Camila.

A vereadora também recebeu o apoio da colega Karla Coser (PT), que criticou a falta de ação dos outros parlamentares. Camila e Karla são as únicas vereadoras mulheres de um total de 15 representantes na Câmara de Vitória.

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Em nota ao jornal Extra, Gilvan disse que o episódio retrata uma “afronta” ao regimento interno da Câmara e afirmou que as vereadoras criam “narrativas inexistentes” e “interrompem o vereador de forma desrespeitosa e antirregimental”, para “levar à mídia de forma distorcida situações que verdadeiramente não se sustentam”.

Ainda de acordo com o vereador, ele vai encaminhar uma representação junto à Corregedoria contra os acontecimentos da sessão. “Os fatos ocorridos hoje não passaram de um embate normal entre parlamentares em que a Vereadora do PSOL incorreu em uma infração ao regimento interno da Casa de Leis quando interrompeu o vereador Gilvan”, diz o texto.