Erika Januza desabafa sobre violência contra a mulher: ‘Julgam que a culpa é dela’

À IstoÉ Gente, atriz traça paralelo entre sua personagem de ‘Dona Beja’ e a realidade de vítimas de agressão nos dias atuais

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Erika Januza Foto: Divulgação

As estrelas de “Dona Beja”, novela da HBO Max, Deborah Evelyn e Erika Januza fizeram um desabafo sobre a realidade da sociedade patriarcal e machista que suas personagens, Ceci e Candinha, viviam em pleno século XIX. Em entrevista à IstoÉ Genteas atrizes relembraram o contexto da época e afirmaram que as raízes desses comportamentos ainda são encontradas nos dias atuais.

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“Às vezes nem numa delegacia [a mulher] é ouvida como deveria, porque julgam ainda que a culpa é dela por ter passado por aquilo”, desabafou Erika durante o bate-papo. “E isso enfraquece o impeto da mulher de exercer o seu direito de ir atrás de uma defesa porque ela sabe que ela pode ser julgada.”

A atriz aponta que, na época, as únicas opções para uma mulher que teve sua “honra” manchada – construção histórica que atrela o valor feminino à castidade – eram a prostituição ou o convento: na trama, a personagem da atriz passa a trabalhar em um prostíbulo de Araxá, cidade de Minas Gerais, após ter sido assediada e humilhada em público pelo coronel da região.

“Ela [Candinha] fala para a mulher, no primeiro momento: ‘Eu não fiz nada, eu não deveria estar aqui’. Não é nem que ela estava julgando a vida da outra, mas é porque ela não deveria, porque ela realmente não fez nada. Mas ainda assim, isso não mudou o contexto dela.”

“Isso conversa muito com as mulheres de hoje em dia, que querem ter seus direitos de defesa e às vezes não têm. E a Candinha, acho que assim como muitas de nós, tem que pegar essa dor e seguir em frente”, finalizou Januza.

“O contraponto da Beja”

Deborah Evelyn também comentou sobre a personalidade complexa da sua personagem. Em “Dona Beja”, Ceci faz parte de uma família formada, na maioria, por pessoas negras: seu marido, Paulo Sampaio (Bukassa Kabengele), e os dois filhos, Maria (Indira Nascimento) e Antônio (David Júnnior). No entanto, a matriarca ainda chama atenção pela quantidade de falas racistas que reproduz.

“Essa é realmente uma das questões novas que a releitura de ‘Dona Beja’ trouxe. Esse casamento, que é uma coisa que a gente conversou: já existia na época, mas que foi totalmente apagado, né?”, explica. “Se hoje em dia isso ainda é uma questão, imagina naquela época. Para Ceci, é uma questão que vai ficando clara durante a novela.”

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A atriz conta que não pode dar spoilers, mas afirma que a história é fascinante por sua humanidade e verdade, denunciando, também, a perpetuação do racismo na atualidade.

“Ela é uma vilã, de uma certa maneira, ela é o contraponto ali para Beja, ou seja, ela não é adorável, mas eu fui me apaixonando por ela e entendendo todas suas fraquezas dela. E com isso eu não justifico o que ela faz, tem cenas inacreditáveis que ainda estão por vir do racismo dela, mas você também vai entendendo humanidade dela.”

“O comportamento não se justifica, é horrível, mas é uma maneira de você mostrar e criticar, porque isso existe até hoje”, finalizou.

*Estagiária sob supervisão