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Erdogan rebate crítica de Draghi: ‘Você não foi eleito’


ISTAMBUL, 14 ABR (ANSA) – Chamado de “ditador” pelo primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ironizou nesta quarta-feira (14) o fato de o economista não ter sido eleito para o cargo que ocupa.   

“Antes de dizer algo do tipo sobre Tayyip Erdogan, primeiro é necessário conhecer sua história, mas vimos que você não a conhece. Você é alguém que foi nomeado, e não eleito”, disse Erdogan em discurso para jovens no palácio presidencial de Ancara.   

Além disso, o líder turco afirmou que Draghi “prejudicou o desenvolvimento das relações entre Turquia e Itália”. Esse foi o primeiro pronunciamento de Erdogan sobre a declaração do premiê italiano, que motivou inclusive um protesto formal para a Embaixada de Roma em Ancara.   

Draghi chamou Erdogan de “ditador” ao comentar o tratamento sexista dispensado pelo presidente à mandatária da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma reunião no início da semana.   

Na ocasião, Erdogan recebeu Von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, mas separou uma cadeira apenas para o segundo, enquanto a primeira ficou sem saber onde se sentar e depois foi acomodada em um sofá.   


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“Lamento muito pela humilhação que a presidente da Comissão sofreu. A consideração a fazer é que com esses, digamos, ditadores temos de ser francos ao expressar a diferença de visões, de opiniões, comportamentos, mas temos também de estar prontos a cooperar para assegurar os interesses do próprio país”, disse Draghi na última quinta (8).   

Ex-presidente do Banco Central Europeu, o economista assumiu o governo italiano em fevereiro passado, após uma crise política que derrubou o então premiê Giuseppe Conte. Draghi não ocupava cargos eletivos e foi nomeado pelo presidente da República, Sergio Mattarella, para guiar um gabinete de união nacional.   

Já Erdogan comanda a Turquia com punho de ferro desde 2003, quando assumiu o posto de primeiro-ministro. Ele exerceu a função de premiê até 2014, quando foi eleito presidente com cerca de 52% dos votos.   

Em 2016, uma fracassada tentativa de golpe de Estado foi usada por Erdogan para promover o expurgo de mais de 140 mil servidores públicos e militares acusados de ligação com o levante. Dois anos depois, após introduzir o regime presidencialista no país – até então uma república parlamentarista -, ele foi reeleito para um novo mandato de cinco anos. (ANSA).   

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