Fim da escala 6×1: equipe econômica de Lula vê maturidade para aprovação no Congresso

Avaliação no governo é de que formato da PEC pode ser entrave, mas ano eleitoral impulsiona tramitação

Congresso Nacional
Congresso Nacional Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Integrantes da equipe econômica do governo Lula (PT) avaliam que o fim da escala 6×1 se tornou uma pauta madura para ser aprovada no Congresso ainda no primeiro semestre, impulsionada pelo cenário eleitoral. A preocupação fica por qual texto será produzido.

Dependendo do formato da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), até o Executivo poderia pular fora do barco, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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A ideia é que a pauta já tem aderência com a centro-esquerda e estaria crescendo na direita também, o que reduziria a força do lobby contrário no Legislativo.

Além do fato de o ano eleitoral pressionar os parlamentares, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), precisaria de uma pauta positiva para marcar sua gestão.

Estudo do Ipea animou defensores da mudança de escala

O argumento governista encontrou base no estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que avaliou que o impacto da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é similar ao de recorrente aumentos no salário mínimo e que a maioria das empresas conseguiriam absorver o impacto da mudança. O aumento do custo médio do trabalho de um celetista em uma jornada de 40 horas seria de 7,84%, de acordo com esse estudo.

Na equipe econômica, entretanto, há a análise que será necessário colocar um período de transição para a redução de jornada, respeitando impactos maiores para certos setores e empresas de tamanhos diferentes. Empresas maiores teriam mais condições de absorver os efeitos da alteração.

A avaliação é de que seria necessário um texto acordado para que a aprovação saia até o meio do ano. Caso contrário, o tema vai virar promessa de campanha. O grande risco, segundo fontes envolvidas com o tema, é que o texto da PEC seja um catado de exceções e traga mais insegurança do que inovação para os trabalhadores. Nesse cenário, até o governo seria contra a medida.

O problema é como acomodar todas essas variáveis dentro da Constituição. Para a advogada trabalhista e sócia do RCA Advogados, Elisa Alonso, usar uma PEC para fazer esse tipo de alteração causa insegurança jurídica. “Embora a redução da jornada seja um objetivo social legítimo, a alteração via emenda, sem diferenciação setorial e sem mecanismos de adaptação, tende a gerar insegurança jurídica imediata e aumento relevante de custos no curto prazo”, disse.

Ela afirmou ainda que é possível fazer a redução de jornada por negociação coletiva setor a setor, sem mexer na Carta Magna. “O ponto é justamente esse, uma vez na Constituição, eu tenho que seguir. Se eu for criar os diferenciais ou a transição na Constituição, eu perco a lógica da Constituição, que é para ser uma norma rígida, uma norma sem essas nuances específicas a serem seguidas”, comentou.

A perspectiva do ganho de produtividade

Outro ponto levantado dentro do governo é que o setor privado está superestimando os impactos financeiros, quando, na verdade, poderia haver ganho de produtividade.

A Confederação Nacional da Indústria, por exemplo, estimou em R$ 178 bilhões o impacto para o setor com uma redução para 36 horas semanais, como está na PEC original sobre o tema, de autoria da deputada Érica Hilton (PSOL-SP).

No agronegócio, uma análise preliminar feita por entidades do setor produtivo e apresentada à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta para risco de 20% a 25% de defasagem das vagas se a nova escala for adotada.

Os governistas também citam uma possível externalidade positiva para a economia, tirando pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O atual nível de desemprego, menor da série histórica, seria mais um impulso para o projeto na visão do Executivo.