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Equador, um país petroleiro em crise

Equador, um país petroleiro em crise

Reformas econômicas provocaram os maiores protestos em uma década no Equador - AFP

Um país rico em petróleo, mas muito endividado, o Equador acaba de lançar reformas que provocaram uma alta dos preços do combustível e deflagraram os maiores protestos do país em décadas.

Veja abaixo algumas das características deste país de 17,3 milhões de habitantes, de maioria católica:

– Instabilidade –

Outrora parte do império inca, o Equador foi governado pela Espanha até 1822, quando integrou a Grande Colômbia liderada pelo herói da independência sul-americana, Simón Bolívar.

Após se tornar uma república independente em 1830, o país ficou nas mãos de uma ditadura militar entre 1972 e 1979, quando voltou à democracia.

O Estado sofreu um período de instabilidade entre 1997 e 2005, durante o qual três presidentes foram destituídos após enormes protestos.

– Esquerda no poder –

A eleição em 2006 do economista de esquerda Rafael Correa trouxe uma década de calma. O mandatário foi reeleito uma primeira vez em 2009, após a aprovação de uma Constituição que reforçou o controle estatal sobre a economia, e novamente em 2013.

Em 2012, concedeu asilo ao australiano Julian Assange, responsável pelo WikiLeaks, acolhendo-o na embaixada do país em Londres.

O sucessor de Correa em 2017 foi seu ex-vice Lenín Moreno (2007-2013).

Correa e ele se confrontaram pouco depois de sua posse e, em 2018, Moreno convocou um referendo que impôs um limite de mandatos presidenciais, impedindo assim o retorno de seu antecessor à Presidência.

Investigado em vários processos em seu país, um deles por sequestro, Correa vive na Bélgica desde 2017.

Em abril de 2019, Moreno retirou o asilo de Assange.

– Queda dos lucros com petróleo –

O Equador é o maior exportador mundial de bananas e um dos principais produtores de café e cacau.

Também tem reservas de 4 bilhões de barris de petróleo. Em agosto de 2019, sua produção foi de mais de 500 mil barris por dia.

Em 1º de outubro, anunciou sua saída da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) no começo de 2020, devido a problemas financeiros.

O país já tinha deixado a Opep em 1992. À época, alegou que o cartel prejudicava sua economia, ao se negar a ampliar sua cota de produção. Voltou a integrar a organização em 2007.

A exploração do petróleo estimulou o crescimento equatoriano, reduzindo a pobreza e a desigualdade.

A queda dos preços do petróleo, a alta do dólar – a economia do país é dolarizada desde 2000 – e a desvalorização das moedas de países vizinhos reduziram, porém, a receita do Equador.

Em março, o país recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter um empréstimo de 4,2 bilhões de dólares em troca de reformas econômicas em um período de três anos.

Como parte do acordo, o governo anunciou o fim de um subsídio para combustíveis, o que levou a uma alta dos preços de 123% e foi o detonador de protestos que levaram Moreno a declarar estado de emergência em 3 de outubro.

– Vulcões, florestas –

Situado à margem do oceano Pacífico, o Equador inclui as ilhas Galápagos, declaradas patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O país se encontra em uma zona de alta atividade sísmica, com cerca de 100 vulcões distribuídos ao longo da Cordilheira dos Andes. Em 2016, um terremoto de 7,8 graus de magnitude matou 673 pessoas.

A floresta amazônica cobre parte do Equador e é lar de povos indígenas – entre eles, os waorani – ameaçados pela exploração dos recursos petroleiros na região.