O Equador e os Estados Unidos estão unindo forças para desferir um “golpe duro” no narcotráfico que opera ao longo de suas fronteiras, afirmou o ministro do Interior equatoriano neste domingo (25), durante uma visita do subsecretário de Defesa dos EUA.
Setenta por cento das drogas que saem de seus vizinhos Colômbia (norte) e Peru (sul), os maiores produtores mundiais de cocaína, passam pelo Equador. Isso desencadeou uma guerra sangrenta entre grupos criminosos nos últimos anos, resultando em uma taxa recorde de homicídios no país.
Na quarta-feira, o presidente Daniel Noboa reclamou da “falta de reciprocidade” e de “ações firmes” da Colômbia para confrontar os narcotraficantes que operam em ambos os lados da fronteira e impôs uma tarifa de 30% sobre as importações de seu vizinho.
O subsecretário de Defesa dos EUA, Joseph Humire, reuniu-se em Quito com a ministra das Relações Exteriores, Gabriela Sommerfeld, e com os ministros da Defesa e do Interior do Equador, Gian Carlo Loffredo e John Reimberg, respectivamente.
“Aqueles que tentarem usar ou pretenderem usar os portos equatorianos para lançar lanchas rápidas com o objetivo de contrabandear (contêineres carregados de drogas) serão atacados”, disse Reimberg a repórteres após a reunião.
O Equador e os Estados Unidos trabalharão para “atacar e enfraquecer esses grupos criminosos, que sofrerão um golpe duro”, acrescentou.
Na mesma reunião, o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, general Henry Delgado, afirmou que essas visitas permitem “melhorar a segurança na fronteira norte” e “identificar com precisão os pontos de tráfico e os centros de armazenamento de drogas, assim como as rotas ao longo da costa do Pacífico”.
O subsecretário Humire não se pronunciou.
A fronteira de 600 km compartilhada por Equador e Colômbia estende-se do oceano Pacífico até a floresta amazônica. Guerrilheiros e organizações colombianas dedicadas ao tráfico de drogas e armas e à mineração ilegal operam nessa área.
Noboa, no poder desde novembro de 2023, declarou guerra a mais de vinte grupos criminosos ligados às máfias colombiana, mexicana e albanesa.
Em meio à ofensiva contra o crime, o Equador registrou 52 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, um por hora, segundo o Observatório Equatoriano do Crime Organizado.
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