O governo do Equador aumentará o preço dos combustíveis “em breve” como resultado da eliminação dos subsídios. A afirmação foi dada pelo ministro da Economia, Juan Carlos Vega, nesta quarta-feira (12), em meio à previsão de protestos contra o aumento das tarifas.

Embora não tenha sido definido um valor exato para o aumento, a previsão é de aproximadamente “25 centavos” por galão americano de gasolina extra, disse Vega, em entrevista ao canal local Teleamazonas.

Com essa decisão, o combustível passaria de US$ 2,46 (R$ 13,25) para US$ 2,71 (R$ 14,60, na cotação atual).

O ministro se negou a dar uma resposta para a data exata do anúncio oficial da eliminação ao subsídio ao combustível, mas sustentou que “tem que ser em breve”.

Ha várias semanas, membros do governo analisam uma proposta para indenizar os trabalhadores do setor dos transportes que usam gasolina extra e a chamada ecopaís (85 octanas) devido ao fim dos subsídios.

Organizações indígenas e sindicatos expressaram sua rejeição à medida, que nos últimos anos provocou manifestações violentas. A Frente Popular de esquerda e outras agremiações sindicais farão uma passeata nesta quarta-feira em Quito para protestar contra os anúncios.

“A gasolina sobe, tudo sobe”, disse Nelson Erazo, presidente da Frente Popular, ao anunciar a manifestação no dia anterior.

De acordo com Vega, o subsídio à gasolina extra e ecopaís custa ao Equador cerca de US$ 644 milhões por ano (R$ 3,47 bilhões).

O ministro estimou que cerca de 85 mil táxis, caminhões e triciclos não serão afetados pela medida graças a “uma compensação” para “que as tarifas não aumentem para pessoas com recursos limitados”.

E 2018, o ex-presidente Lenín Moreno, que governou de 2018 a 2021, liberou o preço da gasolina super (92 octanas).

Seu sucessor, Guillermo Lasso (2021-2023), também tentou aumentar o preço da gasolina extra, provocando a revolta da maior organização indígena, a Conaie, que entre 1997 e 2005 participou de revoltas que derrubaram três governadores.

As organizações sociais alegam que a eliminação dos subsídios é uma condição imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que na semana passada aprovou um novo empréstimo de US$ 4 bilhões (R$ 21 bilhões) para o Equador, mas o governo rejeita essa alegação.

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