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Epidemia se espalha pelo mundo, mas cai número de mortos na China

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Turistas com máscaras de proteção na cidade italiana de Florença (Crédito: AFP)

Mais de 1.000 infectados na Coreia do Sul, novos mortos no Irã, aumento de contágios na Europa, devido ao foco surgido na Itália, e um primeiro caso confirmado no Brasil. A epidemia do novo coronavírus se espalha, apesar das medidas mundiais de prevenção.

Quatro países europeus – Áustria, Suíça, Grécia e Croácia – registraram seus primeiros casos do novo coronavírus desde terça-feira. Além disso, morreu nesta quarta-feira em Paris o primeiro francês vítima do COVID-19.

Ao mesmo tempo, os números melhoram na China, centro da epidemia. As autoridades comunicaram que 52 pessoas morreram nas últimas 24 horas, contra 71 na terça. É o menor número em três semanas.

O número de contágios também diminuiu: 406 novos casos, contra 508 de terça. Até agora, foram 2.178 mortos e outros 78 mil contaminados na China.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, nesta quarta, que o número diário de novas pessoas contaminadas pelo coronavírus no mundo já é superior ao registrado na China.

Conforme o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou durante uma reunião na sede da OMS em Genebra, com 411 novos casos na China e 427 casos no mundo na terça-feira, “o número de novos contágios registrados fora da China ultrapassou pela primeira vez o número de novos casos na China”.

Ghebreyesus também alertou para os riscos de uma “pandemia”, ou seja, para uma epidemia de magnitude internacional.

A OMS deixou clara sua preocupação com o curso que a epidemia está tomando.

O mundo “não está preparado” para enfrentá-la, disse na terça-feira Bruce Aylward, especialista que dirige a missão conjunta OMS/China e que voltada de Pequim.

“Deve-se estar preparado para administrar isso em larga escala e isso deve ser feito rapidamente”, advertiu.

A Organização mostra especial preocupação com os países pobres, mal equipados para prevenir, diagnosticar e tratar o novo vírus.

Fora da China, a doença COVID-19 já afeta cerca de 40 países. No total, foram registrados em torno de 50 óbitos e pelo menos 2.800 casos confirmados de contágio.

No Brasil, o Ministério da Saúde do Brasil confirmou hoje o diagnóstico de coronavírus de um brasileiro residente em São Paulo. Este é o primeiro caso da doença na América Latina.

O diagnóstico inicial “foi confirmado”, disse o ministro Luiz Henrique Mandetta, em entrevista coletiva em Brasília.

O paciente de 61 anos havia retornado em 21 de fevereiro da região da Lombardia, norte da Itália, onde foi registrada a maioria dos casos de infecção neste país europeu.

O governo do Paquistão, país fronteiriço com a China e o Irã, que tem o maior número de mortos pelo novo coronavírus, anunciou nesta quarta seus dois primeiros casos do COVID-19.

A Geórgia também anunciou seu primeiro caso, de um homem que voltou de viagem ao Irã.

As autoridades iranianas anunciaram restrições à livre circulação dentro do país para as pessoas infectadas ou suspeitas de estarem infectadas pelo novo coronavírus.

– Europa em alerta –

Na Itália, foco europeu da epidemia, já são 400 pessoas contaminadas, a maioria no norte, além de 12 mortos.

Na terça-feira, em Roma, os Estados vizinhos se comprometeram a manter suas fronteiras abertas, embora vários governos desaconselhem viagens ao país.

A imensa maioria dos casos registrados nas últimas horas em diversos países europeus tem relação com o foco italiano.

Na Espanha, um hotel na ilha de Tenerife, continua em quarentena, depois que dois hóspedes italianos deram positivo para o novo coronavírus em uma primeira análise.

As autoridades esperam o resultado de um segundo exame para decidir se mantêm, ou não, o confinamento de mais de 700 hóspedes.

Ao todo, na Espanha, oito pessoas deram positivo para o novo coronavírus nos primeiros exames médicos e agora se espera os resultados de um segundo teste para confirmar o diagnóstico.

A propagação do novo coronavírus na Itália e Europa “é motivo de preocupação mas não de pânico”, afirmou a comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, nesta quarta, em Roma.

Na Áustria, foram registrados dois casos em um hotel em Innsbruck, no coração dos Alpes, onde dois turistas de Milão se hospedaram.

Na Croácia, um jovem que viajou para Milão e seu irmão deram positivo para o novo coronavírus. Na Suíça e na Grécia, os primeiros casos também afetam cidadãos que acabam de voltar do norte da Itália.

Na África, um italiano que chegou à Argélia em 17 de fevereiro se tornou o segundo caso confirmado no continente.

A epidemia obrigou a anular uma infinidade de eventos esportivos e culturais, e se começa a sentir os efeitos negativos na economia, com mercados financeiros acumulando suas perdas.

A China anunciou um plano de apoio às pequenas e médias empresas, asfixiadas pelo forte impacto da epidemia, pedindo aos bancos que concedam empréstimos com taxas reduzidas.

Na Coreia do Sul, onde o número de contagiados é altíssimo, e a situação, “muito grave”, segundo o presidente Moon Jae-in, o número de infectados é de 1.146 casos, segundo o balanço atualizado.

É o segundo maior foco de infecção no mundo depois da China.

Entre os contagiados, há um soldado americano. Washington tem 28.500 militares estacionados no país, onde já há 12 mortos.

Grande parte dos casos confirmados está ligada a uma seita cristã, na qual uma pessoa teria contaminado centenas de fiéis. Ao todo, mais de 200.000 membros desta seita estão sendo submetidos a testes.

No Irã, outras quatro pessoas morreram, devido ao novo coronavírus. O número de vítimas chega a 19, segundo o Ministério da Saúde, que também relatou 44 novos contágios confirmados nas últimas 24 horas. Com isso, o número de infectados sobre para 139.