Os enviados do presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, devem viajar à Rússia e à Ucrânia nos próximos dias em uma nova iniciativa diplomática para buscar uma solução para a guerra entre Moscou e Kiev. A missão ocorre em meio a incertezas sobre a agenda e os possíveis riscos envolvidos, conforme relatos de diversas agências de notícias.
- Enviados dos Estados Unidos: Steve Witkoff e Jared Kushner viajam à Rússia e Ucrânia para negociar a paz.
- A agenda da missão é incerta, com relatos de que a visita a Kiev pode ser cancelada e avisos de riscos aos negociadores.
- O Kremlin evita confirmar reuniões, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a União Europeia apoiam os esforços diplomáticos.
Segundo a agência russa Tass, que cita “uma fonte”, os dois negociadores deverão chegar primeiro a Moscou, entre sábado (5) e domingo (6), e posteriormente seguir para Kiev. O deputado ucraniano Alexei Goncharenko também afirmou, em seu canal no Telegram, que a chegada dos enviados americanos à capital do país está prevista para domingo.
Detalhes da missão americana
A agenda, porém, ainda não está totalmente confirmada. De acordo com o Kyiv Independent, a viagem a Kiev está sob avaliação e pode ser cancelada. Uma fonte ouvida pelo jornal afirmou que autoridades russas estariam alertando Witkoff sobre os riscos de uma visita à Ucrânia e que o enviado estaria discutindo alternativas.
A Reuters também informou que as conversas sobre a viagem dos negociadores americanos ao território ucraniano continuam em andamento, com 6 de setembro apontado como uma possível data para a visita.
O que esperar das negociações de paz?
Por sua vez, o Kremlin evitou confirmar antecipadamente uma eventual reunião de Witkoff e Kushner com o presidente russo, Vladimir Putin. “Não anunciarei nada. Mas, assim que esses contatos ocorrerem, informaremos vocês”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao ser questionado sobre os relatos da possível visita dos enviados americanos a Moscou.
Witkoff e Kushner estiveram em Moscou pela última vez em janeiro, quando se reuniram durante cerca de quatro horas com Putin. Peskov também negou a existência de acordos entre Moscou e Kiev para garantir a segurança dos negociadores americanos durante uma eventual passagem pela Rússia e pela Ucrânia.
Segundo o porta-voz, não haverá medidas conjuntas de segurança entre os dois países. Entretanto, comentando as ameaças representadas por Kiev ao espaço aéreo russo, Peskov disse que “os americanos provavelmente pedirão aos ucranianos que cessem as atividades terroristas”.
Reações e contexto geopolítico
Ontem (3), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia indicado que os negociadores americanos visitariam em breve tanto a Ucrânia quanto a Rússia. A declaração foi feita em uma mensagem de vídeo e repercutida pela imprensa ucraniana.
A nova rodada de contatos ocorre no contexto dos esforços do governo de Donald Trump para aproximar as partes e buscar uma saída negociada para o conflito.
Paralelamente, a União Europeia afirmou que considera a iniciativa um avanço e disse apoiar e saudar “todos os esforços diplomáticos” destinados a alcançar uma paz “justa e duradoura” na Ucrânia. Um porta-voz da Comissão Europeia acrescentou ainda que o bloco mantém contato constante com Washington e outros parceiros envolvidos nas negociações.