Brasil

Entre acepipes, kaftas e chocolates

As trapalhadas culinárias do ministro Abraham Weintraub que continua a morrer pela boca

Entre acepipes, kaftas e chocolates

MISTURAÇÃO BANZEIRA Weintraub, que ocupa a pasta da Educação: o estômago fala muito alto e muito errado

A boca do estômago fala pela boca do rosto no ministro da Educação, Abraham Weintraub. Fome não é, o ministro é bem alimentado, bem tratado, talvez um pouco acima do peso. Razoavelmente é estudado, aprendeu o feijão com arroz embora sem tempero porque foi aluno mediano conforme já admitiu, mas, convenhamos, uma das bocas, a do rosto, muitas vezes se propõe a falar difícil. Dá confusão, muita confusão. A mistura das bocas é fixação mesmo… sabe TOC? Assim como o presidente Jair Bolsonaro compara constantemente, na política, todas as situações e circunstâncias com casamento, namoro, fim de relacionamento, rompimento litigioso ou amigável — e, mais que isso, basta ter chance que ele se refere aos órgãos reprodutivos masculinos —, o ministro Weintraub tem uma queda por comida. O problema é que as duas bocas não se concatenam, e quem paga o pato é a boca da face mesmo, porque ela tem voz, e a outra é muda. Por “pagar o pato” não se imagine aqui o bicho no tucupi, é no sentido figurado de levar a pior.

Recentemente, por exemplo, o ministro virou piada nas redes sociais ao comentar o caso do segundo sargento do Exército brasileiro, que foi preso na Espanha por transporte de quase quarenta quilos de cocaína. Weintraub mandou ver no Twitter, que não deixa de ser um tipo de voz: “tranquilizo os ‘guerreiros’ do PT e de seus acepipes”… pois é, deu ruim, como se diz na gíria. O ministro queria dizer asseclas, trocou a expressão por acepipes. A palavra asseclas, no caso, funcionaria como gente próxima ao Partido dos Trabalhadores, correligionários etc… Já acepipes significam pratos delicados para abrir o apetite, petisco, pitéu.

Chef Weintraub

Não foi essa a primeira vez que uma boca trai a outra. Houve dia em que falando a senadores sobre um processo que sofreu, Weintraub afirmou que a ação judicial era digna do livro do escritor alemão Franz “Kafta”. Lá se foi o Kafka do Franz para o fogo nada brando, virou uma iguaria árabe. O nome do livro em questão é “O processo”, e aí a gente maledicente das redes sociais acrescentou que Weintraub trocara processo por prosecco… não falamos, lá estava a boca pagando o tal pato.
Mas tem ainda outro caso de fixação por comida. Em uma de suas primeiras explanações sobre as tesouradas nas verbas nas universidades federais e no ensino em geral, não é que o homem levou chocolates para exemplificar as coisas? Ao seu lado, Bolsonaro até comeu um dos bombons, o que fez o ministro da Educação errar na conta. Mas é como diz o ditado: dos males o menor. Fosse Weintraub chef de cozinha, já o imaginou servindo chocolates como acepipes de kafta? As bocas do rosto e do estômago iriam sofrer — no paladar e na digestão.