Brasileiros do Ano 2019

Entre a política e o desejo de apresentar programas de variedades, ele segue como um dos maiores nomes da TV com seu “Brasil Urgente”

Crédito: BorisRabtsevich

Brasileiros do Ano – Televisão – José Luiz Datena

Jornalista e apresentador que não foge de brigas e polêmicas, José Luiz Datena gosta mesmo é de desafios. Bastou perder seu programa de auditório “Agora é com Datena”, na Rede Bandeirantes, que jogou parte de suas energias na atração que lhe angariou o ápice da fama, o “Brasil Urgente”, carro-chefe da audiência da emissora. Mas não bastou. Aos 62 anos, também mantém um flerte com a vida política. Filiado ao Democratas, Datena chegou a entrar na corrida pré-eleitoral ao Senado por São Paulo, mas desistiu. Antes, foi do PRP, PP e até do PT, da qual foi filiado de 1992 até 2015 — e da qual carrega desilusão. Para a próxima eleição, nem ele sabe se irá mudar de roteiro.

Sobre sua fama de brigão e de dar declarações destemperadas, justifica: “É impossível fazer um programa como o ‘Brasil Urgente’ e ser um cara legal. Não dá”. Pudera. Datena critica a tudo e a todos, acertando no alvo na maioria das vezes, principalmente quando pede providências às autoridades em questões de segurança, justiça, saúde e trânsito. Em outras ocasiões, recua e se retrata, como quando fez comentários homofóbicos e criticou ateus. E é isso que o faz autêntico aos olhos e ouvidos do público. Até sua dicção, que de vez em quando falha, como quando pede “imagens”, com o “m” saindo com som de “b”, virou marca registrada — para o regozijo dos imitadores. “Erro para caramba. Mas sempre tento fazer o certo e não tenho medo”, já disse.

Exagerado

“Ele é movido a desafios”, diz um colega de emissora. Datis, como é chamado por sua equipe, não pega leve nem consigo. Corpulento, impaciente e falando alto até a rouquidão — o que lhe rendeu uma cirurgia na garganta —, precisou maneirar para não comprometer mais a saúde. Nos últimos anos passou a sofrer com diabetes e picos de pressão, já teve que tirar metade do pâncreas e o baço por ultrapassar os limites no copo e no prato. Hoje não bebe. Além da política, o que lhe dá sede é a tevê. Tanto que não esconde o desejo de voltar a comandar programas de variedades. Enquanto a oportunidade não volta, diz que vai cumprir seu contrato — mas nada o impede de mudar. Tanto que em 2011 pagou R$ 10 milhões de multa contratual para deixar a Record e voltar à Band, onde segue bradando: “Quero imagens!”.