Entenda por que os iranianos estão nas ruas e a cronologia da onda de protestos

Inicialmente motivadas pelo aumento do custo de vida, as manifestações evoluíram para um movimento contra o regime que governa o país

Entenda por que os iranianos estão nas ruas e a cronologia da onda de protestos

O Irã é palco há duas semanas de manifestações contra o governo e o regime dos aiatolás, reprimidas com violência pelas forças de segurança.

Pelo menos 500 pessoas já morreram nos protestos, de acordo informou neste domingo, 11, o grupo HRANA, de direitos humanos. Ainda segundo esta organização, o número de prisões desde o último dia 28 de dezembro no Irã já atinge 10.675 pessoas, das quais 160 seriam menores de idade e 52 estudantes.

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Os protestos, iniciados por comerciantes e logo ampliados para grandes faixas da população, começaram como uma contestação à crise econômica e à inflação galopante, mas agora muitos pedem explicitamente que o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, abandone o poder.

A revolta representa um dos maiores desafios para o regime teocrático que governa a nação persa desde a Revolução Islâmica de 1979.

Apesar do bloqueio da internet, que já entrou no terceiro dia, vídeos esporádicos de Teerã, Mashhad, Isfahan, Yazd e várias outras cidades foram enviados via Starlink ou por meios alternativos e publicados nas redes sociais, mostrando que os protestos continuam.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que os cidadãos têm “direito” de se manifestar, mas criticou “baderneiros” que tentam “perturbar a sociedade”.

Pezeshkian acusou os EUA e Israel de patrocinarem a revolta e citou a presença de “terroristas ligados a potências estrangeiras” nas manifestações, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que um eventual bombardeio americano seria respondido com ataques contra o país judeu e bases militares de Washington na região.

Já o governo de Donald Trump tem demonstrado apoio aos manifestantes, e o próprio presidente ameaçou atacar novamente o país, já bombardeado por forças americanas em junho passado, caso mais civis sejam mortos durante os protestos.

Segundo o Wall Street Journal, Trump teria agendada uma reunião nesta terça-feira para ser informado por seus assessores sobre as opções em relação ao Irã, incluindo ataques militares, uso de armas cibernéticas secretas, ampliação das sanções e fornecimento de ajuda online a fontes antigovernamentais.

Confira a cronologia da onda de protestos no Irã

– 28 de dezembro de 2025: Os protestos irrompem em alguns dos principais bazares da capital Teerã, motivados pelo aumento dos preços e do custo de vida.

– 29 a 31 de dezembro: O chefe do Banco Central renuncia, e as manifestações se espalham para outras cidades. O presidente Masoud Pezeshkian afirma ter falado com representantes de sindicatos e comerciantes para buscar uma solução para os problemas.

– 1º de janeiro de 2026: Tanto a agência de notícias semioficial Fars quanto ativistas de direitos humanos relatam, pela primeira vez, mortes na repressão aos protestos. O primeiro balanço é de pelo menos sete pessoas assassinadas.

– 2 de janeiro: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. declara que, se o Irã “matar violentamente manifestantes pacíficos”, os EUA “virão em seu socorro”.

– 3 de janeiro: O aiatolá Ali Khamenei afirma que as demandas econômicas dos manifestantes são “justas”, mas também declara que aqueles que define como “rebeldes” devem ser “colocados em seu devido lugar”.

– 6 de janeiro: A polícia iraniana é acusada usar gás lacrimogêneo para sufocar um protesto no Grande Bazar de Teerã.

Os agentes também são acusados de invadir um hospital em Ilam “à procura de manifestantes feridos”. Reza Pahlavi, filho no exílio do último xá, diz-se pronto “para liderar uma transição para a democracia”.

– 8 de janeiro: Defensores dos direitos humanos e a ONG NetBlocks denunciam “um apagão total da internet em nível nacional” que perdura até agora.

– 11 de janeiro: Número de mortos na revolta passa de 500, e agências e ativistas dão notícia de vítimas também entre as forças de ordem.