Entenda por que famosos brasileiros estão comprando imóveis na Flórida

Algumas celebridades têm adotado a prática nos últimos anos; saiba o motivo

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Entenda por que famosos brasileiros estão comprando imóveis na Flórida. Foto: Reprodução.

A compra de imóveis na Flórida tem se tornado uma estratégia cada vez mais comum entre brasileiros — e nomes como Deborah Secco, Larissa Manoela, Anitta e Claudia Leitte ajudam a dar visibilidade a esse movimento. Mais do que uma escolha ligada ao estilo de vida, a decisão reflete uma busca clara por proteção patrimonial, dolarização e valorização no longo prazo.

Embora os artistas chamem a atenção, eles representam apenas a face mais visível de um fenômeno que se espalhou entre empresários, profissionais liberais e famílias brasileiras. A lógica por trás dessas decisões envolve investir em ativos sólidos, em moeda forte, fora de um cenário econômico marcado por instabilidade.

Segundo Maqueli Florida, corretora brasileira especializada no mercado imobiliário do estado, a Flórida reúne características que explicam esse interesse crescente. “Dolarizar patrimônio vai além de comprar dólares. É investir em ativos reais, que protegem o capital e ainda permitem crescimento ao longo do tempo”, afirma. Para ela, o imóvel é um investimento familiar ao brasileiro, o que facilita a tomada de decisão.

Entre os atrativos estão a ausência de imposto de renda estadual para pessoa física, a possibilidade de financiamento para estrangeiros — inclusive brasileiros — com prazos longos e taxas mais competitivas do que as praticadas no Brasil, além de mecanismos como o 1031 Exchange, que permite o reinvestimento do ganho de capital sem tributação imediata.

O acesso ao crédito, no entanto, ainda é um desafio para muitos compradores. De acordo com Lúcio Santana, CEO da Royal Mortgage USA, a falta de informação costuma ser o principal obstáculo. “Muitos brasileiros não sabem quais documentos precisam apresentar ou como comprovar renda corretamente, o que pode atrasar ou inviabilizar a compra”, explica. Para ele, contar com orientação especializada desde o início faz toda a diferença.

Outro ponto decisivo é a valorização histórica do mercado imobiliário americano, especialmente na Flórida, impulsionada pelo crescimento populacional, pelo turismo e pelo fluxo migratório constante. Mesmo após altas recentes, especialistas avaliam que o setor segue resiliente, inclusive em períodos de crise. “As pessoas podem reduzir gastos, mas não deixam de morar. Isso torna o imóvel um ativo muito sólido”, reforça Maqueli.

Hoje, o perfil do comprador brasileiro na Flórida é diverso: há quem adquira imóveis para morar, quem invista à distância e quem use o bem como instrumento de proteção patrimonial. Muitos mantêm negócios no Brasil enquanto estruturam uma transição gradual para os Estados Unidos, administrando os imóveis com apoio de empresas especializadas.

Para Lúcio Santana, o movimento reflete uma mudança de mentalidade. “O brasileiro que investe fora hoje busca segurança e previsibilidade. Ele quer proteger a família e o patrimônio em um ambiente econômico mais estável”, conclui.