Entenda por que Bad Bunny não terá cachê milionário por cantar no Super Bowl

Participação histórica no intervalo expõe regra da NFL de não pagar cachês aos artistas

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Bad Bunny durante performance no Super Bowl Foto: Reuters

A escolha de Bad Bunny para comandar o show do intervalo do Super Bowl LX, realizado neste domingo na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, chamou atenção por mais de um motivo. Além do caráter histórico, já que ele se tornou o primeiro rapper latino a liderar a apresentação, outro ponto surpreendeu muita gente: o cantor não receberá pagamento tradicional pela performance.

Na prática, isso segue um padrão antigo da NFL. A liga não paga cachê aos artistas que participam do intervalo. Em vez disso, assume todos os gastos ligados à produção, estrutura e logística do espetáculo. Para os músicos, o grande ganho costuma vir da visibilidade global, já que o Super Bowl figura todos os anos entre as transmissões mais assistidas do mundo.

No caso específico de 2026, o cantor porto-riquenho Bad Bunny recebeu apenas o valor mínimo sindical, estimado em cerca de US$ 1.000, referente ao chamado union scale. A remuneração segue o modelo adotado historicamente pela NFL, que não paga cachês elevados aos artistas e cobre apenas custos operacionais do espetáculo.

O pagamento corresponde ao piso definido por contrato do sindicato norte-americano de artistas SAG-AFTRA. Embora não haja remuneração proporcional ao porte do evento, a liga financia despesas de produção, estrutura técnica, viagens e logística, cujo orçamento pode alcançar dezenas de milhões de dólares.

Essa política já foi explicada publicamente pela organização. Em entrevista à Forbes, em 2016, um representante da NFL afirmou que a liga não remunera os artistas diretamente, mas cobre todos os custos do show. A justificativa é o alcance gigantesco do evento.

Depois das apresentações, é comum haver aumento expressivo em streams, vendas de discos e buscas online pelos artistas. A principal compensação para os artistas se dá de forma indireta, por meio da exposição global proporcionada pela transmissão do Super Bowl, que costuma reunir audiência superior a 100 milhões de espectadores.

Após as apresentações, é comum o aumento expressivo de reproduções em plataformas de streaming, vendas de álbuns e procura por ingressos de turnês. O modelo também foi aplicado a nomes como Beyoncé, Rihanna, Lady Gaga e Kendrick Lamar em edições anteriores. O show do intervalo é considerado uma das vitrines de maior alcance da indústria musical.

Desde 2023, o intervalo passou a ser patrocinado pela Apple Music, que assumiu o espaço anteriormente ocupado pela Pepsi por cerca de dez anos. A parceria reforçou o lado promocional e tecnológico do espetáculo, ampliando ainda mais sua presença no ambiente digital.

Mesmo assim, a escolha de Bad Bunny gerou reações negativas de parte do público mais conservador, principalmente pelo fato de o artista cantar majoritariamente em espanhol, algo inédito para uma atração principal do intervalo. Cantores latinos já haviam se apresentado antes, como Shakira e Jennifer Lopez em 2020, mas nunca como atrações principais sozinhas. Naquele ano, inclusive, Bad Bunny participou apenas como convidado.

Apesar das críticas, a NFL manteve a decisão. O comissário Roger Goodell saiu em defesa do artista e destacou que ele está entre os maiores nomes da música global, além de compreender a dimensão do Super Bowl como plataforma de conexão entre pessoas por meio da criatividade e do talento.