Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Bem, vamos aos fatos. Repito: fatos! Nada de achismos ou versões.

Havia um suposto esquema de corrupção dentro do Ministério da Educação, em que dois pastores – sendo um deles amigo de Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto – arrecadariam dinheiro de prefeituras do interior – inclusive através de barras de ouro.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, em áudio, afirmou que privilegiava os pedidos de verba de um destes pastores (Gilmar), atendendo à solicitação do presidente da República. Inclusive, em depoimento à PF, afirmou que ‘cumpria ordens do presidente’.

O mesmo ministro, inclusive, teve seu nome e fotografia impressos em exemplares de bíblias distribuídas em uma prefeitura do Pará. Por algum motivo, ele e quem produziu o material acharam por bem enaltecer sua imagem de político.

Os pastores presos frequentavam com assiduidade o gabinete da Presidência da República no Palácio do Planalto. Após a divulgação do escândalo, Bolsonaro decretou sigilo de cem anos sobre seus encontros com os suspeitos.

A ordem judicial de prisão do ex-ministro determinava que fosse transferido para Brasília, o que não ocorreu. O delegado da PF, responsável pelo caso, em mensagem, afirmou que ocorrera interferência superior e que as investigações foram prejudicadas.

Mantido indevidamente, pois, em São Paulo, o então encarcerado foi solto no dia seguinte por determinação judicial de um desembargador, coincidentemente, o preferido de Jair Bolsonaro para ocupar uma vaga no STJ – Superior Tribunal de Justiça.

Além disso, por mais uma dessas coincidências de Brasília, o magistrado é muito próximo de Gilmar Mendes, com quem o presidente da República jantou na noite anterior, na casa de Arthur Lira, o ilibado presidente da Câmara dos Deputados.

Em gravação autorizada pela Justiça e vazada à imprensa na tarde desta sexta-feira (24), Milton Ribeiro, em conversa com a filha por celular, afirmou que Jair Bolsonaro o alertou sobre a possibilidade de uma operação de busca e apreensão em sua casa.

Percebendo a gravidade do assunto, sua filha o alertou de que estava ‘ligando de um celular normal’. Diante disso, o ex-ministro se surpreendeu, respondeu ‘é?’ e mudou de assunto, nitidamente disfarçando seu constrangimento.

Em ‘live’ nesta quinta-feira (23), Bolsonaro admitiu que houve, no mínimo, tráfico de influência: ‘é comum’. O Ministério Público Federal, por solicitação do juiz do caso, enviou o processo para o STF – Supremo Tribunal Federal.

Não custa lembrar, Milton Ribeiro foi indicado pessoalmente pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro – que afirmou que ‘Deus o inocentaria’ -, e o próprio presidente da República afirmou colocar a cara no fogo pelo mesmo.

Além de confessar que houve crime de tráfico de influência, Bolsonaro pode ter incorrido, em tese, em obstrução de justiça. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) prometeu pedir um inquérito neste sentido ao Supremo.

Também não custa – e é oportuno – lembrar, que o presidente da República, em reunião ministerial conhecida por todos, bateu na mesa e afirmou, com todas as letras, que queria comandar a Polícia Federal, e que tinha suas fontes na corporação: “muito boas!!’

Juntando lé com lé e cré com cré, nem o mais fanático dos bolsonaristas poderia dizer que as peças não se encaixam, e que tudo não passa de perseguição da imprensa e ameaça comunista. Mais claro que isso, só as rachadinhas confessadas por Queiroz.

Em um país minimamente decente, Bolsonaro seria afastado – por iniciativa própria ou da Justiça – e o caso terminaria com severas condenações. Mas estamos em Banânia, onde os poderosos costumam se dar bem, haja vista um certo meliante de São Bernardo.