O incêndio que ocorreu na segunda-feira, 11, nas casas da família do presidente eleito do União Brasil, Antônio Rueda, aumentou o tom na disputa da liderança da sigla entre ele e Luciano Bivar. Ambos eram aliados, mas as coisas mudaram e se tornaram caso de polícia.

Para interlocutores do partido ouvidos pela ISTOÉ, Bivar não teria aceitado a derrota das eleições pela presidência partidária (por unanimidade), no dia 29 de fevereiro.

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Ofensas e boletins de ocorrência

Antes mesmo da vitória de seu rival, Bivar tentou cancelar a convenção partidária.

O próprio Bivar confirmou que, no dia 26 de fevereiro, em uma ligação com Rueda, ambos trocaram ofensas e que ele afirmou que “acabaria com a raça política de Rueda.”

Rueda, por sua vez, diz ter registrado boletins de ocorrências de supostas ameaças recebidas desde então.

Rueda acusa Bivar de atentado e tem provas

A família Rueda não descarta a possibilidade de um atentado motivado por questões político-partidárias. O advogado do presidente eleito do União Brasil teria provas contra Bivar sobre o seu possível envolvimento no incêndio e disse que vai apresentá-las nos autos.

Expulsão de Bivar

Com o imbróglio, nesta quarta-feira, às 15h, as lideranças do União Brasil vão discutir a possível abertura de processo de expulsão de Luciano Bivar. Estarão presentes o próprio presidente eleito Antônio Rueda, assim como o atual secretário-geral e vice-presidente eleito da sigla, ACM Neto.

Fundo eleitoral

Vale ressaltar que a disputa pelo poder no partido também envolve dinheiro. A sigla terá a terceira maior fatia de fundo eleitoral projetada para as eleições de 2024, com R$ 517 milhões, atrás apenas de PL (R$ 863 milhões) e PT (R$ 604 milhões) – segundo a estimativa realizada pelos cientistas políticos Henrique Cardoso Oliveira e Jaime Matos, da Fundação 1º de Maio, e divulgada pelo Estadão.

Bivar

Em conversas com assessores do partido, Luciano Bivar nega as acusações. A ISTOÉ tentou entrar em contato com o deputado, mas não obteve resposta.