A Engie Brasil Energia registrou lucro líquido de R$ 727 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 33,3% em relação a igual período do ano anterior. Com isso, no acumulado do exercício o lucro somou R$ 2,858 bilhões, montante 33,6% menor na comparação com 2024. Pelo critério ajustado, o lucro líquido anual da geradora ficou em R$ 2,84 bilhões, baixa anual de 15,6%.
O recuo observado no lucro líquido frente ao ano anterior deve-se, principalmente, ao maior efeito negativo do resultado financeiro líquido e ao aumento da depreciação e amortização, explicou a empresa.
O lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês) somou R$ 1,86 bilhão no quarto trimestre, queda de 5,6% frente o reportado no mesmo intervalo de 2024. Em 12 meses, o indicador somou R$ 7,66 bilhões, queda de 12,5%. O Ebitda ajustado, por sua vez, que calcula o indicador considerando valores de imposto de renda e contribuição social, resultado financeiro, depreciação e amortização, impairment e não recorrentes, ficou em R$ 7,64 bilhões em 2025, alta de 2,9% ante 2024.
A receita operacional líquida, por sua vez, cresceu 4,5% entre os meses de outubro e dezembro de 2025, na comparação com igual etapa do ano anterior, para R$ 3,42 bilhões, totalizando R$ 12,86 bilhões no ano, alta de 14,6% frente a 2024.
Vendas em alta
O impulso na receita veio pelo avanço de empreendimentos de transmissão de energia, com a entrega do projeto Asa Branca, combinado com a maior quantidade de energia vendida. No quarto trimestre do ano passado a companhia vendeu 4.867 MW médios, montante 12,3% maior que no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o volume vendido alcançou 4.559 MW médios, alta de 11%. O preço médio líquido de venda, no entanto, foi menor na comparação anual: de R$ 210,66 por megawatt-hora (MWh) no quarto trimestre, queda de 6,3% ante igual etapa de 2024, alcançando R$ 213,18 por MWh no ano (-3,4%).
O aumento das vendas de energia ao longo do ano foi associado à ampliação da base de clientes, que cresceu cerca de 24%, enquanto o número de unidades consumidoras aumento 34%, na comparação anual.
O CEO da Engie Brasil, Eduardo Sattamini, citou que o último ano foi desafiador para o setor elétrico, tendo em vista o aumento da complexidade operacional e a exigência crescente de adaptação estratégica. “A diversificação do pipeline, a aquisição de novos ativos hidrelétricos e o avanço consistente nos projetos de transmissão promoveram movimentos estratégicos que permitiram à companhia atravessar esse período com gestão de riscos disciplinada, sem comprometer a execução dos empreendimentos”, disse.
Ao longo do ano passado, a Engie realizou R$ 6 bilhões em investimentos, incluindo a aquisição das usinas hidrelétricas Santo Antônio do Jari e Cachoeira Caldeirão, que acrescentaram 612 MW à capacidade instalada. Também entregou o Conjunto Eólico Serra do Assuruá (BA), com 846 MW de capacidade instalada, que entrou em operação comercial integral em dezembro, e concluiu obras do projeto solar Assú Sol (RN), de 895 MWp.
“A ampliação do portfólio e o aumento na participação de ativos de transmissão e geração contribuíram para elevar a estabilidade dos fluxos de caixa e reduzir a exposição às volatilidades de mercado”, acrescentou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Engie, Pierre Leblanc.
Refletindo os altos investimentos realizados, a Engie encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 25,5 bilhões, alta de 26,8% frente os R$ 20,12 bilhões anotados em dezembro de 2024.