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Engenharia pré-hispânica ‘semeia água’ nas altas montanhas peruanas

Engenharia pré-hispânica ‘semeia água’ nas altas montanhas peruanas

Camponês sentado próximo a parte de uma rede de canais de pedra pré-hispânica que sulcam as encostas das colinas levando água para o plantio, em San Pedro de Casta, província de Lima, Peru, em 18 de abril de 2021 - AQUAFONDO/AFP


Em meio às altas montanhas da província de Lima, a 80 km da capital peruana, uma rede milenar de canais de pedra sulca as encostas dos morros para transportar água da chuva, rios e riachos e se infiltrar na terra em aquíferos subterrâneos.

Esse sistema de engenharia de origem pré-hispânica é conhecido como Amunas, de raiz quéchua que significa “reter água”.

Na comunidade camponesa de San Pedro de Casta, na província de Huarochirí, em Lima, a técnica também é chamada de “semeadura da água” porque permite dispor deste recurso natural o ano todo.

As amunas captam água durante a temporada das chuvas. O líquido que coletam nos canais permeia e se infiltra naturalmente no subsolo, onde é armazenado.

Então, durante a temporada de seca, os moradores podem recuperar a água através dos “olhos d’água”, de onde ela brota dos aquíferos subterrâneos, e que pode ser desviada para sistemas de irrigação ou para uso na pecuária.


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As amunas são encontradas apenas na região da capital peruana, cuja geografia de alta encosta que desce até o nível do mar facilita o escoamento das águas.

E por isso não são apenas fundamentais para as populações locais. Também contribuem para a sub-bacia do rio Santa Eulália, que nasce na Paca dos Andes peruanos a 5.508 metros acima do nível do mar, e que com 204 quilômetros de extensão fornece 80% da água de Lima, onde vivem 10 milhões de pessoas.

As amunas têm 1.400 anos de história e os habitantes de San Pedro de Casta as estão recuperando sob a organização da ONG Aquafondo e de empresas privadas.

Roosevelt Calistro López, de 43 anos, é um dos membros da comunidade da região, com pouco mais de 900 habitantes. “Somos fazendeiros e agricultores, e cada gota d’água que se infiltra nos ajuda a sobreviver”, disse ele à AFP.

Na área já foram recuperados 17 quilômetros de amunas que coletam água “para cerca de 82 mil pessoas por um ano”, explica à AFP a diretora executiva do Aquafondo, Mariella Sánchez Guerra.

O projeto, iniciado em 2017, visa adicionar oito quilômetros de canais operacionais até 2021 e completar 67 quilômetros de amunas até 2025.

– A covid-19, outra dificuldade –

Os mesmos habitantes de San Pedro de Casta fornecem a mão-de-obra para a recuperação das amunas. Trabalhar nesses canais sinuosos nas bordas das encostas apresenta risco de quedas. Além disso, a estrutura é feita de pedras pesadas que são transportadas à mão livre, sem maquinários.

As obras de recuperação devem ser feitas entre outubro e dezembro, antes do período das chuvas. A Aquafondo contrata cerca de 120 pessoas da comunidade em regime de rodízio.

Mas 2020 foi um ano especialmente difícil para os residentes da cidade. A quarentena devido à covid-19 fechou o turismo e baixou os preços dos produtos agrícolas da área, disse à AFP Deudonio Rojas de la Cruz, vice-presidente da comunidade.

“A pandemia atingiu forte, muitos produtos agrícolas caíram de preço” até 80% em alguns itens, um golpe para quem vive da colheita, diz.

A chegada do coronavírus significou “dias de muita reflexão sobre se intervínhamos ou não nas amunas, para não colocar em risco ninguém da comunidade ou da Aquafondo”, diz Sánchez. “Mas tínhamos uma grande preocupação com a renda que é gerada na comunidade com a mão de obra”.

– A mudança climática –

Lima, motor econômico do Peru e responsável por 44% do PIB nacional, está localizada em um deserto que a deixa em grande risco hídrico, já que possui apenas 2% dos recursos hídricos do país sul-americano.

“Semear água é importante porque estamos passando por uma crise hídrica e em Lima temos apenas três rios (Rímac, Lurín e Chillón), que também estão bastante degradados”, diz Sánchez.

Cada quilômetro de amuna contribui com cerca de 178.000 metros cúbicos de água por ano e espera-se que nos próximos anos 80% da água captada por esses sistemas ancestrais chegue a Lima para consumo.

Roosevelt Calistro garante “que o fruto disso vem mais adiante”. “Quando eu era criança, ouvia meus pais dizerem que tínhamos que semear água na parte superior, e hoje eu entendo. Carregamos isso no sangue e nas veias, e o fazemos com orgulho e vontade”.

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