Edição nº2521 13.04 Ver edições anteriores

Enfim, nós

Há quem diga que não cabe comemorar a condenação e muito menos a provável prisão de um ex-presidente da República. Ainda por cima quando se trata do mais popular deles, alguém que encarnou os sonhos de milhões e comandou o País por quase duas décadas. Posso compreender a tristeza do eleitor e até a mágoa do militante, mas não comungo desses sentimentos.

Na verdade, comigo se deu exatamente o inverso: acompanhei a condenação definitiva de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro com uma imensa alegria. Especialmente por conta de seu peso histórico. No fim das contas, nenhum brasileiro em nossa história recente jamais reuniu tanto poder moral e político. Assim como ninguém enganou tantas pessoas ao instrumentalizar esse mesmo cacife.

Podem argumentar que existe uma abundância de personagens merecedores de serem sentenciados pelo STF como ele foi na quarta-feira passada. E terão razão. Podem inclusive constatar que a própria sociedade não deveria se eximir de culpa, uma vez que seus representantes saem dela mesma.

E estarão novamente corretos ao fazê-lo. Contudo, ninguém seria, ou será, tão emblemático quanto Luiz Inácio.E é por esse motivo que a sua derrocada merece, sim, toda sorte de comemorações. Além, é claro, dos inúmeros escândalos dos quais participou direta e indiretamente, incluindo aí o mensalão, o triplex no Guarujá e o sítio em Atibaia. Merece, pois servirá de exemplo e aumentará as chances de fazer a fila andar. E pelo fato de a sua condenação ter significado a sobrevivência da Lava Jato em um momento fundamental no combate à corrupção.

Tudo isso dito, é claro que não devemos nos iludir. O Brasil não mudará simplesmente pelo encarceramento daquele que, na prática, tão somente aperfeiçoou com maestria um modelo viciado. Bem ao contrário, cabe agora pressionar ainda mais o STF, demonstrar apoio à Polícia Federal e a juízes como Sergio Moro. Só dessa forma, mesmo em um ritmo mais lento do que gostaríamos, a noção de impunidade será aos poucos erradicada do nosso senso comum.

Enquanto isso, será inevitável, ainda por muito tempo, lembrar de como se deram os votos de Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Bem como as afrontas de Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski. E, por fim, a prometida serenidade de Cármen Lúcia.

Alvíssaras, ainda somos Sucupira, mas a vergonha diminuiu um pouco.

Acompanhei a condenação definitiva de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro com uma imensa alegria


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