Comportamento

Emoção nas alturas

O Rio de Janeiro ganha um novo e exuberante cartão postal — uma roda-gigante de 88 metros, com potencial para atrair cerca de 100 mil visitantes por mês

Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

ENTRETENIMENTO e trabalho Além de diversão para os turistas, a Rio Star garantirá emprego para 120 pessoas (Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Rio de Janeiro, que encanta por suas belezas naturais e por suas múltiplas manifestações artísticas, acaba de ganhar um novo cartão postal: uma roda-gigante dos sonhos que deve se tornar uma importante atração turística de agora em diante. A Rio Star, inaugurada na sexta-feira 6, está situada na zona portuária da cidade, localidade que ficou conhecida pelo projeto Porto Maravilha, de revitalização e preservação arquitetônica e cultural de uma região antes abandonada. Não é a melhor vista da Cidade Maravilhosa, mas quem estiver lá no alto poderá contemplar a imensidão da Baía da Guanabara e todo o Centro Histórico. Com 600 toneladas de aço e 88 metros de altura, a roda-gigante tem um tempo previsto de dezoito a vinte minutos para uma volta completa. O enorme brinquedo oferece 54 cabines com o formato inspirado no Bondinho do Pão de Açúcar, com capacidade para oito pessoas cada e com um total de 432 vagas. Ainda existe a possibilidade de se reservar a cabine para grupos de seis pessoas desfrutarem de momentos exclusivos.

CONFORTO As cabines da roda-gigante proporcionam visão de 360°: desenho inspirado no bondinho do Pão de Açúcar (Crédito:ALEXANDRE SILVA)

A maior roda-gigante da América Latina vai contribuir para tornar o Rio de Janeiro menos tenso e mais divertido

A Rio Star é a maior roda-gigante da América Latina. Ela coloca o turista numa posição equivalente ao alto de um prédio de 25 andares, de onde se pode contemplar, de forma agradável e em movimento lento, mas constante, belezas naturais como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Lá de cima, com sorte e tempo bom, será possível observar a Serra dos Órgãos e seu pico, o Dedo de Deus. “Queremos encantar as famílias que nos visitarem”, afirma Fábio Bordin, diretor executivo da FW Investimentos, holding que administra a roda-gigante carioca. O aspecto emocional, até pueril, foi um diferencial para a construção de aparelho de entretenimento porque ele remete à infância e desperta fantasias nas crianças. “Todo mundo se lembra de ter andado numa roda-gigante com o pai quando era pequeno”, diz Bordin. E muita gente vai querer repetir a emocionante experiência na idade adulta.


Além de ser um novo ponto turístico, a roda-gigante deu impulso para a economia local. Trata-se de uma concessão de cinco anos que na fase inicial de construção gerou 200 empregos diretos e indiretos. O empreendimento terá 120 funcionários entre terceirizados e contratados da Rio Star. Além disso, 30% das vagas foram disponibilizadas para as pessoas que moram na comunidade do Morro da Providência, vizinha ao projeto. A empresa gestora vai pagar a Prefeitura do Rio de Janeiro cerca de 200 mil reais de aluguel ou 5% do faturamento bruto. A intenção é vender 2700 ingressos por dia e a expectativa é de que passem pela atração três mil pessoas diariamente. O novo equipamento de diversão coroa o projeto do Porto Maravilha. O desenvolvimento do Rio de Janeiro está ligado à região portuária e, historicamente, foi a partir dali que a cidade se expandiu e avançou em direção ao Sul. Atualmente, o porto é um dos é um dos mais movimentados do País no transporte de mercadorias e param por ali todos os anos vários transatlânticos. Idealizado nos preparativos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o porto já conta com outros atrativos, como o Museu de Arte do Rio de Janeiro e o Museu do Amanhã. A estrutura da roda-gigante chegou à cidade dividida em partes, transportadas por grandes navios chineses. Como todo gigante, a primeira parte a chegar foram os pés, depois a armação de ferro e finalmente as gôndolas. O momento de maior atenção até essa fase final de inauguração foi adaptação da roda-gigante às condições locais. A necessidade fundamental de atender as especificidades técnicas relacionadas às questões do terreno e do clima carioca. O fato de a estrutura estar situada à beira mar, o tipo de aço, a pintura, o ar condicionado, que chegou com metade da força necessária e as mudanças nos detalhes da roda-gigante foram essenciais para atestar a resistência e segurança da obra. “A questão principal foi tropicalizar a Rio Star”, conta Bordini.

Disputa Mundial

Há hoje uma disputa informal entre várias metrópoles do mundo para ver quem tem a maior roda-gigante. A Rio Star fica atrás de equipamentos existentes em outras cidades, mas está entre as mais impressionantes. Um grande símbolo turístico é a London Eye, roda-gigante de Londres, na Inglaterra, com 135 metros de altura e 32 cabines. Ela está às margens do rio Tâmisa. A High Roller, de Las Vegas, nos EUA, entrou para o Livro dos Recordes como a mais alta do planeta, com 167 metros de altura. No passeio de meia-hora, há opção de open-bar e serviço de garçons. São exemplos que unem imponência e sofisticação. Agora, o carioca que viu o charme e a simpatia do Rio de Janeiro serem afetados pela violência, pela desigualdade e por outras maculas sórdidas, vai sentir mais graça na cidade por contar com um equipamento de entretenimento turístico em que o céu é o limite.

O passeio dura de 18 a 20 minutos e oferece a possibilidade de pacotes exclusivos para grupos fechados de seis pessoas