Comportamento

Emissões misteriosas

Relatório da Agência de Investigação Ambiental (EIA) revela que a China produz ilegalmente grandes quantidades de CFC-11, gás que destrói a camada de ozônio

Crédito: Divulgação

GÁS PROIBIDO Tanques de CFC-11 em fábrica na China e imagem da Terra: buraco voltou a crescer (Crédito: Divulgação)

O buraco na camada de ozônio, que parecia até agora um problema ambiental sob controle e em franca regressão, voltou a causar preocupação. Em maio, em um artigo publicado na revista Nature, cientistas chamaram a atenção para uma misteriosa e persistente emissão de grandes quantidades de um tipo de gás clorofluorcarbono, o CFC-11, que destrói a camada de ozônio e cujo uso está proibido no mundo desde 2010. O estudo identificava o foco das emissões no Leste asiático, mas não especificava as fontes. Agora, um relatório da Agência de Investigação Ambiental (EIA, na sigla em inglês) divulgado segunda-feira 9, indica que os lançamentos de CFC na atmosfera vêm da China, especificamente de fábricas de espuma de poliuretano, usada como isolante térmico na construção civil. Por conta das vantagens de custo e da alta disponibilidade, empresas chinesas se recusam a abandonar o gás. Foram identificadas pelo menos 3,5 mil delas que o utilizam em seus processos industriais.

Dano Prolongado

A camada de ozônio envolve e protege a Terra de vários tipos de radiação, principalmente a ultravioleta. A contenção de sua destruição é resultado de um acordo internacional, o Protocolo de Montreal, assinado em 1987, que estabelece um cronograma de eliminação total de gases como o CFC-11. Cerca de 150 países, entre eles o Brasil, aderiram ao acordo, que parecia estar sendo cumprido globalmente. Mas a China saiu dos trilhos. Mesmo sendo um dos signatários, o país foi responsável pela emissão de 10 a 12 mil toneladas extras de CFC-11 entre 2012 e 2017, segundo estimativas da EIA. Isso fez com que a taxa de declínio do buraco na camada de ozônio se reduzisse em cerca de 50% no período.

Segundo os cientistas, o lançamento de quantidades adicionais de gases CFC deverá adiar em pelo menos uma década a regressão do dano ambiental. Um grupo de trabalho do Protocolo de Montreal se reuniu na semana passada em Viena, na Áustria, para discutir o caso e estabelecer eventuais sanções contra a China.