Emirados Árabes Unidos se defendem de ataque de mísseis lançados pelo Irã

Novos ataques aumentam tensão na região após alguns dias de cessar-fogo

AFP
Mulher hasteia bandeira do Irã em frente a outdoom com mensagem anti-americana em Teerã Foto: AFP

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos disse na terça-feira que suas defesas aéreas estavam lidando com ataques de mísseis e drones do Irã, um segundo dia de ataques após quatro semanas de relativa calma desde que os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados disse em um comunicado que os ataques foram uma escalada séria e representam uma ameaça direta à segurança do Estado, acrescentando que os Emirados Árabes Unidos se reservam o “direito total e legítimo” de responder.

Na noite de segunda-feira, os Emirados Árabes Unidos disseram que suas defesas aéreas estavam combatendo ameaças de mísseis e drones, enquanto os bombeiros lutavam contra um incêndio em uma importante zona da indústria petrolífera após um ataque de drone que, segundo as autoridades, teria sido originado do Irã.

Conflito por Ormuz ‘nem começou’, diz Irã

O principal negociador do Irã, Mohamad Baqer Qalibaf, alertou nesta terça-feira (5) que o país “ainda nem começou” o confronto pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o comércio global de petróleo e gás. A declaração, feita na rede social X, intensifica a crise regional e a disputa com os Estados Unidos. Qalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, ressaltou que a continuidade do atual cenário é insustentável para os EUA e que a “presença maligna” deles diminuirá.

O que aconteceu

  • O líder iraniano Mohamad Baqer Qalibaf afirma que o Irã ainda não iniciou o confronto no Estreito de Ormuz.
  • A trégua entre Estados Unidos e Irã é ameaçada por recentes ataques na região e o recrudescimento da guerra.
  • Instalações petrolíferas e navios foram alvo de ataques, elevando os preços do petróleo no mercado internacional.

A trégua entre Estados Unidos e Irã corre sério risco devido aos enfrentamentos da última segunda-feira (4) em torno do estratégico Estreito de Ormuz e pela retomada dos ataques de Teerã contra um de seus vizinhos do Golfo, os Emirados Árabes Unidos. O recrudescimento da guerra, que ameaça o cessar-fogo vigente desde 8 de abril, acontece após o presidente americano Donald Trump anunciar uma operação militar destinada a restabelecer a circulação de navios em Ormuz.

O magnata republicano advertiu, em declarações veiculadas pela emissora Fox News, que “os iranianos seriam varridos da face da Terra” em caso de ataques a navios americanos na região. Desde que o conflito começou em 28 de fevereiro pelos ataques de Washington e Israel à República Islâmica, Teerã controla essa passagem estratégica por onde costumava circular um quinto do consumo mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

Cerca de 20.000 marinheiros estão imobilizados na região, segundo um alto funcionário da agência britânica de segurança marítima UKMTO.

A escalada da tensão e os ataques recentes

Os ataques, os primeiros voltados contra instalações civis em um país do Golfo em mais de um mês, reacenderam os temores dos mercados, onde os preços do petróleo dispararam. A instalação petrolífera de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, uma das poucas acessíveis na região sem passar pelo estreito, foi atacada por um drone que provocou um incêndio. Três cidadãos indianos ficaram “moderadamente feridos”, segundo as autoridades locais.

Os Emirados Árabes também anunciaram que foram alvo de quatro mísseis de cruzeiro “lançados do Irã”, dos quais três foram interceptados e um caiu no mar, segundo o Ministério da Defesa. Um navio-petroleiro da empresa estatal Adnoc também foi atacado por dois drones iranianos. O país árabe denunciou “uma escalada perigosa” e afirmou ter o direito de responder.

Há solução diplomática para a crise?

O Irã “não tinha nenhum plano de atacar os Emirados”, assinalou a televisão estatal iraniana, citando um alto comandante não identificado. O oficial denunciou as consequências do “aventureirismo do exército americano”, em referência à operação destinada a liberar os navios que estão presos no Golfo pelo fechamento de Ormuz.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o que classificou de “violação manifesta da soberania e do direito internacional” por parte do Irã, e expressou sua “total solidariedade” ao povo emiradense. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o governo da Arábia Saudita pediram uma distensão no Oriente Médio.

Em Omã, duas pessoas ficaram feridas no ataque a um edifício em Bukha, no Estreito de Ormuz, informou um meio de comunicação estatal.

“Os acontecimentos em Ormuz mostram que não há solução militar para uma crise política”, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X. Ele exortou os Estados Unidos a darem prioridade ao caminho da mediação do Paquistão, alertando-os sobre o risco de serem “arrastados para um atoleiro”.

As divergências continuam sendo significativas entre ambos os países e as tentativas de retomar as negociações fracassaram até agora, apesar de uma primeira reunião direta na capital paquistanesa Islamabad em 11 de abril. Teerã indicou no domingo que tinha recebido uma resposta de Washington, que não foi tornada pública, à sua última proposta de acordo.

O impacto global nos mercados

O Irã, que efetivamente estabeleceu um pedágio para a travessia de Ormuz, havia advertido os Estados Unidos contra qualquer intervenção no estreito: “Se têm a intenção de se aproximar ou entrar nele, serão alvo de ataques”, assegurou o general Ali Abdollahi, chefe do comando das forças armadas da República Islâmica. Mas o presidente americano congratulou a si mesmo por essa iniciativa que, segundo ele, “funciona muito bem”. Trump reiterou que não se pode permitir que o Irã obtenha armas nucleares, uma ambição que Teerã nega.

Enquanto isso, dois navios mercantes de bandeira americana cruzaram “com sucesso” o estreito, assegurou o comando militar americano para a região, o Centcom. Segundo o chefe do Centcom, Brad Cooper, suas forças destruíram seis embarcações iranianas e interceptaram mísseis e drones lançados contra navios militares e comerciais americanos. Teerã, no entanto, negou que embarcações mercantes tivessem atravessado o estreito e que os Estados Unidos tivessem destruído barcos iranianos.

A Coreia do Sul, por sua vez, relatou uma “explosão” seguida de um incêndio em um navio sul-coreano em Ormuz. Nesse contexto, o barril de petróleo de tipo Brent, referência internacional, voltou a disparar e fechou nesta segunda-feira a 114,44 dólares, o que supõe um aumento de 5,8%.

Com informações de Reuters e AFP