Em vista a Londres e Paris, Zelensky pede mais armas a aliados ocidentais

Em sua segunda viagem ao exterior desde o início da invasão russa, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, visitou nesta quarta-feira (8) o Reino Unido e a França, onde pediu aos aliados ocidentais aviões de combate e mais armas pesadas.

Zelensky, que na quinta-feira estará em Bruxelas para participar de uma cúpula da União Europeia (UE), passou boa parte do dia em Londres, onde reuniu-se com o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, visitou o Parlamento e encontrou-se com o rei Charles III.

À noite, Zelensky chegou a Paris para se reunir com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o chanceler alemão, Olaf Scholz.

“O quanto antes a Ucrânia tiver armas pesadas de longo alcance, o quanto antes nossos pilotos tiverem aviões, mais rápido esta agressão russa terminará e seremos capazes de retornar à paz na Europa”, declarou Zelensky no Palácio do Eliseu antes de um jantar com os líderes francês e alemão.

Macron disse a Zelensky que a França está “determinada a ajudar a Ucrânia até a vitória” e pronta para continuar com o envio de armas. Scholz garantiu que os aliados apoiarão a Ucrânia “pelo tempo que for necessário”.

Em Londres, durante uma reunião com Sunak, Zelensky destacou a “importância de a Ucrânia receber as armas necessárias dos aliados para deter a ofensiva russa”.

Depois, diante dos parlamentares reunidos em um lotado Westminter Hall, a enorme sala onde o funeral da rainha Elizabeth II foi realizado em setembro, ele insistiu em que isso deveria incluir caças.

“Peço a vocês e ao mundo palavras simples, mas muito importantes: aviões de combate para a Ucrânia, asas para a liberdade”, acrescentou.

“Não excluímos nada”, inclusive o envio de aviões, assegurou Sunak durante uma coletiva de imprensa que se seguiu à visita com Zelensky a um centro militar em Dorset, no sul da Inglaterra, onde o exército britânico treina militares ucranianos.

Sunak informou, ainda, que os tanques britânicos Challenger 2, prometidos por Londres, estarão operacionais “no mês que vem” em solo ucraniano.

Depois dos Estados Unidos, em dezembro, o Reino Unido é o segundo país que Zelensky visita desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022.

A Alemanha concordou recentemente com o envio de veículos de combate e na terça-feira anunciou, juntamente com a Holanda e a Dinamarca, o envio de “pelo menos 100 tanques Leopard 1 A5” nos “próximos meses”. Mas outros países que tinham se comprometido parecem estar demorando-se.

Especialistas acreditam que a Rússia esteja preparando uma grande ofensiva para o final do inverno, ou início da primavera (Hemisfério Norte), com o objetivo de conquistar todo o Donbass, hoje ocupado parcialmente pelas forças russas.

Mapas atualizados da Rússia, incluindo regiões da Ucrânia que Moscou afirma ter anexado – Zaporizhzhia, Kherson, Luhansk e Donetsk – foram colocados à venda nas livrarias de Moscou na terça-feira.

– Meses ou anos para treinar pilotos –

O Reino Unido, até agora relutante em fornecer caças Typhoon e F-35, afirmou que analisá essa possibilidade, embora não a considere imediata.

“O primeiro-ministro instruiu o ministro da Defesa a analisar quais aviões poderíamos fornecer, mas esta é claramente uma solução de longo prazo, e não uma capacidade de curto prazo, que é o que a Ucrânia mais precisa no momento”, disse um porta-voz.

Após o anúncio, a Rússia prometeu “uma resposta a qualquer medida hostil que a parte britânica tomar”, anunciou a embaixada de Moscou em Londres, em nota transmitida pelas agências de notícias russas.

Segundo a fonte, Londres será responsabilizada por uma “colheita sangrenta”, assim como pelas consequências “políticas e militares resultantes” para o continente europeu e o mundo.

Na semana passada, Sunak considerou que os pilotos ucranianos precisariam de “meses” ou mesmo “anos” para aprender a pilotar os caças usados pelos países da Otan.

No entanto, nesta quarta-feira ele propôs ampliar o treinamento que já oferece às tropas ucranianas, “estendendo-o aos pilotos de caças para garantir que a Ucrânia possa defender seu espaço aéreo no futuro”.

O Reino Unido forneceu 2,3 bilhões de libras (US$ 2,8 bilhões) em ajuda militar à Ucrânia em 2022 e prometeu manter o mesmo nível este ano, o segundo maior no mundo depois dos Estados Unidos.

Coincidindo com a visita de Zelensky, o governo britânico, que já sancionou mais de 1.300 indivíduos e entidades russas desde a invasão da Ucrânia, reforçou essas sanções para incluir “seis entidades fornecedoras de material militar” e “oito indivíduos e uma entidade ligada a redes financeiras” próximas ao Kremlin.

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