Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Quando dois agentes públicos, da estatura de um chefe de Estado e de um parlamentar, se encontram, há regras a seguir.

Quando se ultrapassa, e muito!, o limite do decoro e, em tese, das leis, o verdadeiro Estado Democrático de Direito precisa agir.

O senador por Goiás, Jorge Kajuru, procurou o presidente Jair Bolsonaro e lhe fez o seguinte pedido: fale bem de mim para o Brasil.

Por sua vez, o amigão do Queiroz respondeu: mude o objeto da CPI da Covid e eu falarei bem de você, “não tem problema nenhum”.

O pai do senador das rachadinhas e da mansão de 6 milhões de reais também pediu ao parlamentar para perseguir ministros do Supremo.

De forma sabuja e servil, Kajuru disse já ter atendido o pedido presidencial antes mesmo que lhe fosse pedido; prova de que é o trigo, e não o joio.

O que o senador fez tem, em tese, nome e sobrenome: corrupção ativa. O que o presidente fez tem, em tese, nome e sobrenome: corrupção passiva.

Há também, em tese, um termo jurídico-criminal para a proposta do devoto da cloroquina ao seu interlocutor: advocacia administrativa.

Tanto pior quando vinda do presidente da República. Tanto pior quando o objetivo é a franca interferência nos demais Poderes.

Kajuru é inexpressivo na política nacional. Foi eleito na onda das sub-celebridades sedizentes “cidadão de bem” contra a velha política.

Jair Bolsonaro era inexpressivo. Não é mais! É um perigo ambulante para a saúde pública e para a democracia brasileira.

Quando se juntam e conspiram abertamente contra o Poder Legislativo e o Poder Judiciário, tornam-se potencialmente criminosos.

Kajuru segue seu mandato sem ser incomodado. Bolsonaro segue seu mandato sem ser incomodado. O Brasil segue para a morte… incomodado.