Em queda livre

O presidente Bolsonaro foi eleito em 2018 com mais de 55% dos votos. Governou durante algum tempo com a aprovação de 60% da população. Alguns meses depois, o eleitor percebeu que tratava-se de um engodo, mas o seu descrédito veio para valer após a pandemia, quando passou a ser acusado de genocida e responsável direto por 530 mil mortes em razão de suas políticas equivocadas no combate à Covid. Sua avaliação não parou de cair. Hoje, não tem mais do que 23% de apoio e a tendência é de queda, já que até 26% dos seus eleitores admitem trocá-lo por Lula. Antigos aliados, como Gilberto Kassab, do PSD, já avaliam que ele não estará nem mesmo no segundo turno. Notícia alvissareira, dado ao seu grau de periculosidade e nível de incapacidade mental.

O mais interessante do ocaso bolsonarista é que ele não foi alvo de ações de uma oposição organizada. Foi vítima de sua própria conduta desastrosa. Em alguns meses de desgoverno, conseguiu romper com seus mais fiéis seguidores, como Bebianno, generais Santos Cruz e Rêgo Barros, além de defenestrar aliados como Moro, Mandetta e Joice Hasselmann. Todos passaram a ser seus inimigos, enquanto ele escolhia integrantes da escória do Centrão como os novos cúmplices. Um erro fatal, que o está levando às cordas na luta para se manter em pé até 2022.

Bolsonaro não representa apenas uma ameaça à democracia. Passou a simbolizar também um retrocesso no combate à corrupção

Do jeito que ele está sendo golpeado, tanto na CPI, como no STF ou nos bastidores do Congresso, dificilmente conseguirá evitar o nocaute. Afinal, ele não tem mais a quem recorrer. Os militares já lhe disseram que não embarcarão na aventura golpista. Os partidos do Centrão dão a entender que ao primeiro sinal de que Lula terá chances de vitória se bandearão para o lado petista, enquanto que os próprios componentes da direita organizada, do empresariado e da classe dominante têm torcido o nariz para a sua indefensável postura contra a vacina. Afinal, todos sabem que o País só voltará a crescer quando a vacinação atingir 70% da população, mas isso não será alcançado com contratos fraudulentos para a compra de imunizantes obscuros e superfaturados.

Mesmo os que classificavam como traumático um novo processo de impeachment, considerando que isso desorganizaria a recuperação econômica, já começam a defender a tese de que o presidente deve ser afastado do poder à luz do respeito à decência, à legalidade e ao Estado de Direito, pois Bolsonaro hoje não representa apenas uma ameaça à democracia. Passou a simbolizar também um retrocesso no combate à corrupção. Por sorte, Bolsonaro está em declínio junto à opinião pública: ninguém engana a todos o tempo todo.


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