Cultura

Em nova série, Bruno Mazzeo transforma própria experiência em material criativo

É estranho, mas o que não é estranho nesses tempos? A pergunta não surge de cara na nova série Diário de Um Confinado, escrita e interpretada por Bruno Mazzeo e dirigida pela mulher dele, Joana Jabace. Diário de Um Confinado já estava com seis episódios disponíveis no Globo Play. A partir desta sexta, 3, chegam mais seis e no sábado, 4, na TV aberta, a Globo apresenta três episódios, como se formassem um especial de meia hora, logo após a novela Fina Estampa.

O primeiro lote inicia-se com Vizinha e apresenta também Pizza e Análise. O Diário surgiu como contribuição ao humor em tempos de pandemia.

Muitos cômicos, e não apenas eles, estão tentando romper o isolamento na segurança da criatividade remota. Gregório Duvivier, Marcelo Adnet investem numa linha de sátira política. Bruno Mazzeo é mais intimista.

Joana estava dirigindo a série Segunda Chamada. A interrupção das gravações confinou-a em casa com o marido, Bruno, e os filhos gêmeos do casal.

A ideia surgiu, e tudo ocorreu rapidamente. Por que não transformar a própria experiência em material criativo? Entre o click inicial e a chegada ao Globo Play, na sexta da semana passada, foi cerca de um mês e meio. “Foi tudo feito na segurança, dentro de casa. A emissora aprovou, enviou uma câmera muito prática, a F7. Gravamos em casa mesmo, buscando dar um testemunho sobre esse momento tão difícil e, ao mesmo tempo, exercitando a criatividade para nos mantermos ativos, enfrentando os desafios e restrições do momento”, Joana historia o processo. “Moramos num apartamento amplo, mas criamos, na nossa sala, o que seria o do Murilo. Um cara solteiro, que vive sozinho, bem diferente de nós, que temos os gêmeos. A princípio, pensamos que teríamos de gravar de madrugada, depois que eles dormissem, mas logo o trabalho se integrou à rotina. Havia a preocupação de gravar e resguardar tudo, garantir a continuidade. Mas o acaso terminou ajudando. Um dia, brincando no set, os meninos deixaram o patinho deles, que terminou incorporado ao personagem. Murilo, nesse período tão estranho, dorme abraçado ao seu patinho.”

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Por que Murilo? “Foi uma ideia do Bruno, acho que inspirado num primo meu, muito engraçado e de quem o Bruno gosta muito.”

Escrever, gravar, manter o set, tudo isso demanda tempo, cuidado. “Todo set, o da série que estava gravando em São Paulo e interrompemos, é sempre um ambiente ruidoso, de grupo. Reúne muita gente, umas 30 pessoas. E agora, aqui, somos só nós. É uma outra experiência. Tem também a finalização, toda remota. Tudo é muito novo para nós, para mim.”

Vizinha não foi concebido para ser o primeiro, mas vai abrir a primeira série de três. A vizinha é Débora Bloch.

Algum motivo especial para isso? “Todo!”, ela ri. “A Débora é nossa vizinha, a gente interage muito. Em plena pandemia, a troca continua, mas agora com todos esses protocolos que nos unem à distância. Era muito natural que ela virasse personagem.”

Também na série, Renata Sorrah faz a mãe. No episódio Pizza, Murilo aciona o delivery. Mamãe surta – ‘Cuidado com a caixa, tem de higienizar!”

Renata é uma atriz extraordinária. O repórter comenta com Joana cenas da atriz na novela Fina Estampa – nas melhores, ela nem fala. Uma certa cena de sedução, em que o amante chega por trás. A doutora não se vira, mas expressa tudo – a proximidade, a excitação, tudo só com o rosto, os olhos, a boca úmida. “Sei bem do que Renata é capaz. Ela sempre surpreende.”

O melhor de toda essa série – uma joia de dez minutos – é Análise, que já teve como título provisório Terapia. Murilo segue com a terapia à distância. Fernanda Torres faz a analista. Grava da casa dela.

É nesse episódio que Murilo comenta como as coisas estão estranhas. A sessão de terapia é interrompida por interferências dentro da casa dela. A analista descontrola-se. Murilo olha cúmplice para a câmera. Ela liga de madrugada para seu paciente, e está bêbada. Murilo olha de novo para a câmera – o tempo todo ele está rompendo a quarta parede.

Bruno Mazzeo empresta ao personagem uma melancolia que é dele. Na tradição dos grandes artistas, é um palhaço triste. “Era importante para nós fazermos essa dosagem. Não dá para ficar rindo dessa tragédia imensa, que enluta tanta gente.”

O tom é tudo. Bruno e a mulher, Joana e o marido, acertaram.

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