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Em Minneapolis, como em outros locais dos EUA, pedidos por reforma policial diminuem

Em Minneapolis, como em outros locais dos EUA, pedidos por reforma policial diminuem

O primo e a tia de George Floyd em frente ao seu retrato en Minneapolis, em outubro de 2020 - AFP

“Começou forte, mas retrocedeu”: Thomas Waltower, um professor de Minneapolis, lamenta que os pedidos por uma reforma profunda da força policial – surgidos após a morte do afro-americano George Floyd – tenham perdido força no debate pré-eleitoral nos Estados Unidos.

Floyd morreu em 25 de maio nesta cidade situada no norte dos Estados Unidos, asfixiado sob os joelhos de um policial branco. Seu calvário, transmitido em vídeo na internet, chocou o mundo inteiro e desencadeou uma série de manifestações em todo o país.

Em todos os lugares a população pedia transformações da força pública, mas foi em Minneapolis que esses pedidos foram mais longe: em 7 de junho, a prefeitura anunciou sua intenção de “acabar” com sua polícia, acusada de ser “estruturalmente racista”, para “reconstruir um novo modelo de segurança pública”.

Depois, vários legisladores quiseram que a questão fosse incluída na agenda das eleições de 3 de novembro que, além do duelo entre o presidente republicano Donald Trump e seu rival democrata Joe Biden, inclui referendos e outras votações locais.

Porém, depois que uma comissão de membros nomeados por um juiz vetou a questão, ele não poderá ser levado em consideração pelos eleitores de Minneapolis na terça-feira.

– “Verão horroroso” –

Em Minneapolis, “você não ouve mais nada sobre o que eles querem mudar”, conta Waltower, que capacita jovens em programação de computador nos bairros pobres e predominantemente negros da cidade.

“Ainda assim, os afro-americanos se sentem prejudicados pela polícia diariamente”, acrescenta esse pai de imponente estatura, que é com frequência fiscalizado por policiais.

Mas as prioridades mudaram com o aumento da criminalidade. Desde o início do ano, a cidade já registrou 65 homicídios, frente aos 49 registrados em todo o ano de 2019, além do aumento nos tiroteios.

Estamos vivendo “um verão horroroso e realmente difícil”, relatou Waltower à AFP. Alunos do instituto no qual leciona ficaram presos em meio a esses tiroteios.

Para ele, o motivo é simples: há menos policiais nas ruas, o que dá um “sinal verde” para os bandidos.

De fato, a força policial diminuiu. Ao menos 175 policiais, dos cerca de 850, pediram demissão ou tiraram licença médica desde o início do ano, segundo um advogado que os representava.

“O incidente com Floyd, as manifestações, a falta de apoio, o sentimento de abandono (…) tudo isso faz com que um grande número de policiais digam ‘Não posso continuar assim'”, explica Ron Meuser.

Nesse contexto, o delegado pede mais recursos e não o contrário.

Mas Stuart Schrader, pesquisador de sociologia da Universidade Johns Hopkins, alerta contra o senso comum.

Para ele, a pandemia e seu impacto econômico sem dúvida tiveram um papel importante no aumento da criminalidade, como também observado em Nova York e Chicago.

Como muitos manifestantes, o pesquisador acredita que parte do orçamento da polícia poderia ser redirecionado para programas sociais, para combater as causas estruturais da violência.

Se Biden vencer a eleição presidencial, a questão voltará à mesa e “a esquerda pressionará por novas políticas”, ressalta Schrader.

Por outro lado, se Trump for reeleito, “haverá pressão social (por reformas), mas também uma forte reação”, teme o pesquisador.

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