Em meio a tensões com EUA, premiê britânico anuncia viagem surpresa à China

LONDRES, 21 JAN (ANSA) – O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deve realizar uma visita surpresa à China na próxima semana, em meio às atuais tensões geopolíticas com seu principal aliado, os Estados Unidos, com o objetivo de descongelar as relações após anos de disputas e controvérsias com Pequim.   

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pela imprensa internacional, segundo a qual Starmer deverá ser acompanhado por uma ampla delegação de líderes empresariais.   

O anúncio oficial da viagem ainda não foi feito, mas a recente aprovação do governo britânico para a construção de uma nova megaembaixada chinesa em Londres ? no local da antiga Casa da Moeda do Estado ? é vista como um sinal decisivo de reaproximação.   

O projeto havia sido adiado diversas vezes devido a preocupações relacionadas à segurança e suspeitas de espionagem.   

A visita foi confirmada por fontes bem informadas citadas pela agência Reuters e noticiadas pelo The Guardian em sua edição online. Além do premiê britânico e de vários ministros, são esperados executivos de grandes grupos como BP (petróleo e gás), HSBC (bancos), Intercontinental Hotels Group (hotéis), Jaguar Land Rover e Rolls-Royce (automotivo).   

Entre os principais objetivos da viagem está a reativação do Conselho de CEOs Reino Unido-China, órgão bilateral voltado à promoção de investimentos e da cooperação comercial, atualmente inativo há vários anos.   

Segundo o Guardian, os preparativos para a visita começaram em novembro, durante uma missão privada a Pequim de Jonathan Powell, conselheiro de Segurança Nacional de Downing Street, que se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi.   

A última visita de um primeiro-ministro do Reino Unido à China ocorreu em maio de 2018, em um período já marcado por crescentes tensões nas relações sino-britânicas, após uma fase de forte aproximação descrita como uma “era de ouro” da cooperação econômica e política, iniciada sob o governo trabalhista de Tony Blair e aprofundada durante o governo conservador de David Cameron.   

No ano passado, apesar dos altos e baixos, Starmer já havia sinalizado a intenção de retomar o diálogo com Pequim. Para isso, enviou em rápida sucessão três ministros de peso à China: a ministra da Fazenda, Rachel Reeves, que em maio liderou uma delegação empresarial e ajudou a revitalizar projetos de investimento avaliados em cerca de 600 milhões de libras; o ministro da Energia, Ed Miliband; e o ministro do Comércio, Peter Kyle. (ANSA).