Saúde

Em meio à pandemia, especialistas alertam para os cuidados contra a dengue


Mariana Nakajuni, da Agência Einstein

“A medida mais importante a ser adotada pela população é a conscientização”, afirma Simone Prado, a respeito da dengue. Enfermeira e integrante da equipe de Vigilância em Saúde do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), ela alerta que se informar a respeito das causas e riscos da doença é fundamental, a fim de “evitar a presença de mais um agravante diante do cenário em que vivemos”.

A dengue é uma doença viral que, na maior parte dos casos, se manifesta de forma benigna, com sintomas como febre, indisposição e dores nos músculos e atrás dos olhos. Entre cinco e sete dias depois, a temperatura volta ao normal e os incômodos vão desaparecendo, mas o cansaço pode persistir. A enfermidade também pode se apresentar com maior gravidade na chamada “dengue complicada”.

Hélio Bacha, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, alerta que é possível haver confusão entre os sintomas da dengue e da Covid-19. Por mais que as formas de transmissão e a atuação das doenças em nosso organismo sejam diferentes, ambas podem se apresentar de maneira semelhante em determinadas condições, o que dificulta o diagnóstico. Além disso, o médico diz que existe a possibilidade de uma dupla infecção. “Nós temos pouca descrição no número de casos e pouca experiência da coinfecção de Covid-dengue. Mas isso, de antemão, já nos traz algumas preocupações”, explica.

Em 2021, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 54.049 casos e oito mortes por dengue no país, entre os dias 1º de janeiro e 20 de fevereiro. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, houve uma diminuição de aproximadamente 77% nos casos. No entanto, estados como o Acre lidam com um surto de dengue, ao mesmo tempo que enfrentam a pandemia. Números da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) apontam que, do primeiro dia do ano até 23 de fevereiro, as notificações de registros triplicaram em relação ao mesmo período de 2020, saltando de 2.598 para 7.514.


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Bacha reforça que a principal forma de prevenção contra a dengue é por meio do combate ao Aedes aegypti, vetor da doença — ele também é responsável pela propagação da zika e chikungunya.  “Se nós não tivermos no ambiente o mosquito, que dissemina a doença ao picar os humanos, não haverá transmissão”, diz o infectologista.

“É preciso promover uma orientação para evitar a proliferação do mosquito, eliminando focos de água armazenada que podem se tornar possíveis criadouros”, afirma Prado.  O Aedes aegypti se multiplica quando a fêmea deposita seus ovos em focos de água parada, como vasos de planta, galões, pneus, frascos plásticos, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas.

Mesmo em cenário de pandemia, Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Promoção Ambiental continuam fazendo visitas domiciliares para orientar as famílias sobre os cuidados e os métodos de prevenção da doença. “Tendo em vista o vínculo que existe entre os colaboradores e a população, reforçamos a importância da inspeção, respeitando o distanciamento social e os cuidados de higiene e biossegurança. Isso deixa as pessoas mais tranquilas durante a ação”, explica a enfermeira.

O fato de a população passar mais tempo em casa por conta da pandemia também facilita a atuação dos profissionais, já que boa parte dos moradores está presente para recebê-los no momento da visita. Por outro lado, essa tendência levanta alertas, como sugere Bacha: “O Aedes aegypti é um vetor principalmente doméstico. A maior parte da transmissão da dengue se dá dentro de casa. À medida que temos o home office e o ambiente doméstico como lugar preferencial, temos uma preocupação a mais de tomarmos cuidado para evitar os criadouros do mosquito”.

Dicas de prevenção contra a dengue

  • Tampar os tonéis e caixas d’água
  • Manter calhas sempre limpas
  • Deixar garrafas e recipientes com a boca para baixo
  • Limpar semanalmente ou preencher pratos de vasos de plantas com areia
  • Manter lixeiras bem tampadas
  • Manter ralos limpos e com aplicação de tela
  • Manter lonas para materiais de construção e piscinas sempre esticadas para não acumular água.

(Fonte: Agência Einstein)

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