ROMA E LAMPEDUSA, 2 AGO (ANSA) – Pela primeira vez em 2017, a Itália registrou uma queda no número de imigrantes que chegaram aos portos do país quando comparado com os dados do ano passado.
Entre 1º de janeiro e 2 de agosto, chegaram 95.215 deslocados no país contra 97.892 registrados no mesmo período de 2016, em uma queda de 2,7%, informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália.
No entanto, apesar da redução, o governo italiano tem outro problema grave para lidar em referência à crise migratória: a relação com as ONGs que atuam no resgate de estrangeiros no Mar Mediterrâneo.
Roma criou um “protocolo” de atuação para as ONGS, que não foi assinado por algumas entidades, e começou a fazer uma fiscalização mais intensa nesta quarta.
O navio Iuventa da ONG alemã Jugend Rettet – que não assinou o documento – foi barrado enquanto se aproximava da ilha italiana de Lampedusa e escoltado até o porto por agentes da polícia italiana.
Dois imigrantes sírios, que haviam sido resgatados durante a semana, foram levados para um centro de acolhimento local e a embarcação foi inspecionada pelos agentes de diversas unidades policiais.
“Trata-se de um controle normal, que nós fizemos e que não causará nenhum problema. Agora verificaremos os documentos de todo o equipamento e já nesta manhã eles poderão deixar Lampedusa se verificarmos que está tudo dentro das regras”, informou o tenente Paolo Monaco, comandante da Capitania dos Portos da ilha italiana.
A ONG Jugend Rettet foi fundada em 2015 por jovens da alta classe média alemã para salvar imigrantes no mar que fogem da fome e das guerras. A entidade comprou o Iuventa há cerca de dois anos e atuam no Mediterrâneo há pouco mais de um ano.
No entanto, de acordo com o jornal “La Repubblica”, a ONG alemã teria sido alvo de uma investigação da Procuradoria de Trapani sob suspeitas da relação entre a entidade e traficantes de pessoas no mar. Apesar de não ter sido confirmado oficialmente, a investigação foi aquela que causou a criação do “código de conduta” para salvamentos.
Outra entidade que não firmou o documento, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), informou que fez uma operação de salvamento de 17 pessoas no Mediterrâneo em “coordenação com a Guarda Costeira” da Itália.
O resgate ocorreu em águas internacionais e foi o próprio centro da Guarda Costeira quem pediu para o navio Aquarius fazer o salvamento. (ANSA)