Em jantar, Bolsonaro chama João Doria de vagabundo do ‘carvalho’

Crédito: Mateus Bonom/Antonio Molina

(Crédito: Mateus Bonom/Antonio Molina)


Naquele seu tradicional linguajar de miliciano bêbado em botequim decadente da zona oeste do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, o amigão do Queiroz, chamou o governador de São Paulo, João Doria, de “vagabundo do caralho”. O motivo? Bem, apenas o ofensor pode dizer.

Mas podemos recorrer a um simples exercício de lógica e comparar a trajetória de vida de ambos, para, aí sim, tentar entender melhor quem é – ou não – o vagabundo da história; se o pai do senador das rachadinhas e da mansão de 6 milhões de reais ou se o “calça apertada”.

Comecemos pelo começo: Doria é filho de político que combateu a ditadura militar. O devoto da cloroquina é defensor de torturadores da ditadura militar. Doria é empresário de sucesso. O maníaco do tratamento precoce é um típico político fisiologista e corporativista de carreira.

O governador paulista não possui suspeitas de corrupção pairando sobre si ou sua família. Já o marido da receptora de cheques de milicianos é suspeito de peculato, quando deputado federal, e patriarca de um clã useiro e vezeiro na arte (do peculato) – as tais rachadinhas.

Doria não transaciona imóveis em dinheiro vivo nem nunca empregou funcionários fantasmas e milicianos. Bolsonaro, sim. Os filhos do paulista não são investigados. Já os pimpolhos do carioca possuem “carteirinha” no clube dos suspeitos da Justiça brasileira.


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Por falar em filhos, os do governador não vivem pendurados em tetas públicas. Os do presidente, como sabemos, seguiram a trilha do pai e mamam dinheiro do contribuinte. E que saibamos, Bia Doria, esposa de João Doria, jamais recebeu cheques suspeitos em sua conta.

Na atuação política, o governador de São Paulo não é aliado do centrão de São Paulo, nem companheiro de mensaleiros e corruptos. Já o homicida Bolsonaro, é parça de Collor, Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson e outros notórios trambiqueiros do País.

Em relação à pandemia, certo ou errado, exagerado, exibido e marqueteiro, ou não, Doria não fez propaganda de tratamento falso, não incentivou aglomeração, não pregou contra o uso de máscara, não zombou das mortes e não humilhou os parentes das vítimas fatais.

Mais ainda: foi ele o responsável por ter trazido a CoronaVac ao País, a vacina que está no corpo de 8 em cada 10 brasileiros vacinados contra o coronavírus. Já o sociopata, sua obra iniciada em março de 2020 o precede. Como o precede os quase 350 mil mortos atuais.

O paulista acorda cedo e trabalha até tarde da noite, e sua agenda está sempre lotada de compromissos produtivos. O carioca, apelidado de mandrião, é praticamente um “come-dorme”. Trabalha muito pouco, ou quase nada, e não produz para o Brasil.

Em não tão breve síntese, eis uma comparação que joga luz sobre a ofensa desferida pelo bilontra Jair. Não sou advogado nem tenho procuração para defender João Doria. Tampouco sou seu eleitor. Mas se eu tivesse que apontar um “vagabundo” nessa história toda, certamente não seria ele.

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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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