Jair Bolsonaro usou a manifestação na avenida Paulista para voltar a atacar as eleições de 2022. Defendeu o voto impresso e disse que não aceitará a “farsa patrocinada pelo TSE”. O Tribunal Superior Eleitoral já demonstrou a segurança das urnas eletrônicas e abriu uma investigação contra suas denúncias feitas pelo mandatário contra o sistema eleitoral, sem qualquer prova.
Em um discurso improvisado feito numa avenida sem a presença massiva que era esperada, o presidente mostrou que ficou abalado com a decisão do TSE que mandou as redes sociais como Youtube pararem de enviar recursos de publicidade para sites que questionem a lisura do pleito. “Não podemos admitir um ministro do TSE desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação”, disse o mandatário. Ocorre que o Congresso, eleito democraticamente, já enterrou qualquer chance de o voto impresso vigorar. Portanto, Bolsonaro apenas tenta deslegitimar uma eleição que já sabe que perderá.
O presidente também mostrou que está acuado pelas investigações em curso no STF contra ele e seus apoiadores. “Não vamos mais admitir que pessoas como [o ministro] Alexandre de Morais continuem a açoitar nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição. Não agiu com respeito e interceptou há pouco um americano.” Ele se referia ao antigo assessor do ex-presidente americano Donald Trump, Jason Miller, que foi interrogado hoje pela Polícia Federal em Brasília, dentro do inquérito que investiga a organização e o financiamento das manifestações antidemocráticas. Miller é o fundador da rede social de direita Gettr, criada para abrir espaço a Trump depois que ele foi banido do Twitter e do Facebook por fomentar a invasão do Congresso americano em 6 de janeiro. O episódio mostra que a Justiça está atenta, e está sendo eficiente, contra as tentativas de interferência externa no pleito, apoiadas pelo presidente.
Foi um discurso para as claques radicais. Além de o ato não representar o “tsunami verde-amarelo” que o presidente esperava, ele não conseguiu promover uma agenda que unifique seus grupos. Ao contrário, demonstrou mais uma vez que está acuado e tem medo de ser preso. “Jurei dar minha vida pela pátria”, martelou novamente enquanto promove todos os dias ataques à Constituição e às instituições.
Ao dizer que queria mostrar para o Brasil e para o mundo uma “fotografia que mostrasse que as cores da nossa bandeira são verde e amarela”, voltou a tentar sequestrar os símbolos pátrios em nome de seu projeto autoritário. “Vocês juraram dar suas vidas pela liberdade”, exultou para a massa. É o velho truque. Usar o lema da liberdade em nome do golpe que sonha praticar, mas não tem força para impor.