Em depoimento, Clinton afirma que não sabia dos crimes sexuais de Epstein

WASHINGTON, 27 FEV (ANSA) – O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton prestou depoimento, nesta sexta-feira (27), ao Comitê de Supervisão do Congresso Nacional, que investiga o caso do bilionário pedófilo Jeffrey Epstein. Ele afirmou que não tinha “ideia” dos crimes sexuais cometidos pelo financista e que nunca pensou que o atual mandatário, Donald Trump, pudesse estar envolvido no escândalo.   

“Não vi nada e não fiz nada de mal. Não tinha ideia de seus crimes”, escreveu Clinton no X em uma declaração inicial, reforçando seu posicionamento à comissão.   

“Eu sei o que fiz e, ainda mais importante, o que não fiz.   

Sei o que vi e mais importante, o que não vi”, acrescentou o ex-chefe de Estado, que aparece em alguns arquivos públicos sobre o caso divulgados pelo Departamento de Justiça, que comprovam que ele viajou no avião privado de Epstein algumas vezes, além de aparecer em fotografias nadando e posando ao lado de mulheres.   

Além disso, o material revela que Epstein visitou o então líder de Washington por ao menos 17 vezes na residência presidencial durante seu governo (1993-2001).   

Sobre Trump, que também aparece inúmeras vezes nos documentos, Clinton foi enfático: ele “nunca me disse nada que me fizesse pensar que estivesse envolvido no caso” do criminoso sexual.   

Enquanto o democrata prestava depoimento, o republicano afirmou “não estar contente” que Clinton estivesse sendo interrogado. No entanto, Trump declarou que foi “totalmente exonerado” do material divulgado sobre o escândalo.   

A presença do ex-presidente perante o Comitê ocorre um dia após sua esposa, Hillary, ter deposto sobre o mesmo assunto.   

“Chamá-la para dar seu testemunho foi completamente errado.   

Ela [Hillary] não tem nada a ver com Jeffrey Epstein”, frisou Clinton. De fato, a ex-secretária de Estado e ex-primeira dama não é citada nos arquivos.   

Ao contrário do marido, Hillary exortou os investigadores a convocarem Trump para também depor.   

“Se esta comissão levasse a sério sua missão de descobrir a verdade sobre os crimes de Epstein, não se contentaria em ouvir os comunicados para imprensa emitidos pelo presidente sobre seu envolvimento, mas deveria interrogá-lo, sob juramento”, argumentou Hillary.   

Para ela, o comitê deveria questionar Trump sobre seu nome aparecer “milhares de vezes nos arquivos” Epstein. “Quem estão acobertando?”, questionou a política em seu depoimento.   

Clinton reforçou que encerrou relações com Epstein em 2003, cinco anos antes do pedófilo ser condenado por abuso sexual. Ele é o primeiro ex-presidente a depor em uma comissão do Congresso desde 1983.   

Epstein morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.   

Nos inúmeros arquivos relacionados ao escândalo, outras personalidades também aparecem, como o ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor, o empresário e fundador da Microsoft, Bill Gates, e o ex-presidente do Fórum Econômico Mundial Borge Brende, que renunciou ao cargo na última quinta (26) por envolvimento com o criminoso. (ANSA).