Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Walderice Santos da Conceição, conhecida como Wal do Açaí, esteve alocada como secretária no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara, de 2003 a 2018, durante a sua atuação como deputado federal. Em seu depoimento ao Ministério Público Federal, Wal refutou todas as manifestações públicas que o presidente da República fez sobre o caso. Ela ainda reafirmou que nunca esteve em Brasília. As informações são da Folha de S.Paulo.

Por conta desse caso, o MPF apresentou à Justiça Federal em Brasília uma ação de improbidade administrativa acusando Jair Bolsonaro de ter mantido uma funcionária fantasma em seu gabinete.

“Tal conduta, absolutamente imoral e manifestamente ilícita, foi reiteradamente praticada por mais de 15 anos, somente tendo cessado em razão da repercussão negativa, após divulgação pela imprensa, durante a última campanha eleitoral.”

Em 2018, a Folha ouviu vários moradores da pequena Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), que afirmaram que Walderice e o seu marido, Edenilson, prestavam serviços particulares à casa de veraneio de Bolsonaro.

Inclusive, durante o seu horário de expediente na Câmara, Walderice trabalhava em um comércio que vendia açaí.

Funcionária fantasma

Em seu depoimento ao MPF durante as investigações sobre o caso, Walderice não apresentou nenhum indicativo de que tenha exercido alguma atividade legislativa no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Depois que o caso veio à tona, o presidente disse publicamente que Wal mantinha contato apenas com os seus assessores. No entanto, ela relatou que só falava com Bolsonaro.

Ele também afirmou que Walderice tinha a função de repassar as demandas dos moradores de Mambuca. Porém ela disse que não revelou aos vizinhos o seu cargo como secretária parlamentar.

“Mambucaba fica a mais de 50 km de distância do centro de Angra dos Reis e, segundo asseverado por Walderice e Edenilson, a quantidade de moradores não chega a 300, sendo boa parte parente de Walderice”, escreveu o MPF.

“Não há como justificar a manutenção de um secretário parlamentar, com jornada laboral de 40 horas semanais, exclusivamente para receber as demandas de seus habitantes, sobretudo quando o próprio Bolsonaro declarou não ter interesse, nem ser o representante dos eleitores daquela região”, completou.

O MPF destacou que, mesmo que Walderice repassasse esporadicamente os pedidos dos moradores, isso não justificaria a manutenção de um cargo parlamentar por mais de 15 anos.