O presidente da França, Emmanuel Macron, ressaltou que são “inaceitáveis” as tarifas progressivas sugeridas pelo presidente americano, Donald Trump, contra os europeus e, por isso, sugeriu não aceitar “a lei da parte mais forte”, em discurso preparado para o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta terça-feira, 20.
“A competição com os EUA busca subordinar a Europa, o que é inaceitável. Aceitar passivamente uma nova subordinação dos EUA não faria sentido”, disse ele. “Não faz sentido ameaçar seus aliados com tarifas”, afirmou.
Macron disse que os europeus devem fortalecer seus instrumentos de retaliação comercial, destacando que o instrumento anticoerção é “poderoso” e eles não devem hesitar em usá-lo.
Diante disso, o líder francês ponderou que é importante diversificar parceiros comerciais – mencionando a importância de construir novas relações com países emergentes, incluindo o Brics – e que os europeus precisam de mais investimentos da China em setores-chave.
Para o presidente francês, as guerras comerciais levam a posições de perdas e o multilateralismo está enfraquecido atualmente. No entanto, segundo ele, os europeus devem permanecer comprometidos com cooperação no continente, sendo “essencial” preservar o multilateralismo.
“A competitividade europeia ainda está atrás da dos EUA, ao contrário dos americanos, ainda enfrentamos baixo investimento privado. A Europa precisa responder aos seus problemas de baixo crescimento”, acrescentou, ao mencionar que, ainda que a Europa possa “ser lenta”, é previsível e segue as leis do Direito, “o que hoje é uma vantagem”.