O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, conversou por telefone com o vice-presidente da China, Han Zheng, na manhã desta quarta-feira, 28, informou o Palácio do Planalto, em nota. A agenda durou cerca de trinta minutos, segundo o Planalto. “As autoridades discutiram temas de interesse da agenda bilateral e coincidiram quanto ao excelente estado das relações sino-brasileiras”, afirmou o Planalto, na nota.
Um dos temas da conversa foi a aplicação de salvaguarda pela China sobre a carne bovina importada, incluindo a brasileira.
Durante o telefonema, Alckmin “demonstrou preocupação com as salvaguardas aplicadas pela China às exportações de carne bovina”, disse o Planalto. O presidente em exercício ressaltou ao vice-presidente chinês, segundo a nota, a “relevância do setor pecuarista para a economia brasileira e enfatizou ao vice-presidente chinês a importância do tema para o governo brasileiro”.
Conforme o Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou, a ligação entre os vice-presidentes integra a estratégia do governo brasileiro em elevar o diálogo com a China ao “alto nível” a fim de negociar flexibilizações no âmbito da salvaguarda imposta pelo país asiático sobre a carne bovina.
O pleito brasileiro é para que sejam considerados ajustes operacionais no cumprimento e contabilização da cota prevista no âmbito das medidas de salvaguarda chinesa. O pedido do governo, embasado na demanda dos exportadores de carne bovina, ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país em 31 de dezembro e está em vigor desde o dia 1º. As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina. O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano.
De acordo com o Planalto, Alckmin e Han Zheng destacaram o crescimento de 8,2% da corrente de comércio bilateral em 2025, quando foi batido o recorde de US$ 171 bilhões. “As autoridades reafirmaram o compromisso mútuo de preservar o diálogo com vistas à ampliação e diversificação das relações comerciais entre Brasil e China. Também trataram das oportunidades de investimentos nos dois países, com destaque para as áreas de infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade”, afirmou o Planalto.
Alckmin também convidou Han Zheng a participar da próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) no Brasil, em data ainda a ser definida.