Em busca de uma gestão eficiente

No dia 16 de setembro expirou o prazo para que os partidos definissem seus candidatos e suas coligações com vistas às eleições municipais de novembro. A campanha chega de fato às ruas com o início da propaganda eleitoral. No pleito de 2018, por conta das crescentes denúncias de corrupção, vimos que o desejo da sociedade por renovação política levou à vitória de alguns novatos e estreantes. Pessoas que nunca tinham concorrido a cargo eletivo conquistaram seu primeiro mandato. Isso impediu novas denúncias? A resposta é não! Veja o caso do governador Wilson Witzel (PSC), no Rio de Janeiro, afastado do cargo. Ou da senadora juíza Selma Arruda (Podemos-MT), cujo mandato foi cassado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Isso para citar apenas dois exemplos. O Covidão — nome pelo qual estão sendo chamadas as investigações em vários estados em torno de compras superfaturadas e repletas de irregularidades no combate à pandemia — evidencia que, mesmo após a Operação Lava-Jato, empresas, agentes públicos e empresários continuam desviando recursos públicos.

Os eleitos nas urnas este ano terão grandes desafios no período 2021-2024. Encontrarão desemprego e uma população ainda mais carente de serviços públicos do que o habitual. Segundo o IBGE, a fome cresceu e atingiu 10,284 milhões de pessoas de meados de 2017 a meados de 2018, o que corresponde a 5% da população brasileira. Como consequência da disseminação do novo coronavírus no país, essa realidade deve piorar. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou em outubro do ano passado um quadro fiscal grave no país. A grande maioria dos municípios (74%) tem gestão fiscal considerada crítica ou difícil, e 1/3 deles não consegue se sustentar financeiramente.

A importância, portanto, de conhecer as propostas e o perfil de cada candidato é uma necessidade ainda maior agora. A renovação é um fenômeno positivo? Sim. Mas é garantia de gestão eficiente? Não. O que importa, portanto, é saber o histórico de cada candidato, a viabilidade de suas propostas e sua capacidade de gestão. Pode ser um político novo ou um político mais experiente. Gostemos ou não, é por meio da política que um país democrático resolve seus problemas e se prepara para um futuro melhor. Para Platão, “o preço que os homens de bem pagam pela indiferença aos assuntos políticos é ser governado pelos maus”. Segundo o filósofo, o idiota — cidadão que se dedicava exclusivamente a questões particulares e negligenciava a vida política — era responsável pelo ambiente degradante em que vivia.

Para Platão, “o preço que os homens de bem pagam pela indiferença aos assuntos políticos é serem governado pelos maus”

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