Economia

Em 30 anos, Mercosul trouxe benefícios, mas precisa avançar, defende CNI

Entre as propostas do setor industrial para fortalecer o bloco, estão a retomada do crescimento nos países-membros e a priorização de uma agenda econômica e comercial

Crédito: CARL DE SOUZA - AFP

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a retomada do crescimento econômico nos países do Mercosul, maior participação do setor empresarial na agenda econômica e comercial do bloco, o fortalecimento do livre comércio e a ampliação de acordos com países estratégicos que representem ganhos efetivos. Esses pontos integram uma declaração conjunta que deverá ser aprovada na reunião do Conselho Industrial do Mercosul, que ocorre nesta quinta-feira (25) e marca os 30 anos do acordo.

O Conselho é formado por líderes das entidades industriais dos quatro países do bloco. Além da CNI, fazem parte do fórum a União Industrial Argentina (UIA), a União Industrial Paraguaia (UIP) e a Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU).

Na avaliação do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, ao longo das três décadas, o Mercosul contribuiu para a redução de barreiras tarifárias e atração de investimentos externos que formaram uma integração produtiva em setores de forte impacto econômico e social. Ele destaca ainda que houve avanços significativos nos últimos tempos, com o acordo com a União Europeia e os acordos internos em investimentos, compras públicas e em facilitação do comércio.

“O Mercosul é a mais relevante iniciativa de inserção internacional do Brasil até o momento. Porém, o futuro do bloco depende de mais crescimento econômico, do aumento da competitividade e da maior integração interna dos países”, destaca o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

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O bloco é o que mais proporciona resultados econômicos e sociais para o Brasil. Para se ter uma ideia, entre 2011 e 2020, o saldo comercial do país com o Mercosul foi de US$ 54,9 bilhões, com a pauta mais diversificada entre todos os grandes destinos de exportações. O saldo fica atrás apenas da China (US$ 158,3 bilhões), mas a pauta exportadora com o país asiático é concentrada em poucos produtos.

Além disso, o comércio do bloco resulta na maior massa salarial por R$ bilhão exportado – R$ 670 milhões ante R$ 450 milhões no caso da China – e produz o maior impacto em cadeia no Brasil por R$ bilhão exportado: R$ 4,12 bilhões. Em relação a empregos, é o segundo destino em que as exportações brasileiras geram mais empregos, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Apesar disso, os países do bloco, inclusive o Brasil, passam por um período de deterioração econômica e da comoditização da pauta de exportação. Para reverter o quadro, o setor industrial propõe que sejam elaboradas e implementadas metas macroeconômicas realistas para estabilizar economicamente a região. Devem ser descartados objetivos não viáveis, como moeda única ou convergência macroeconômica.

Mais integração

Outros desafios do bloco, de acordo com o presidente da CNI, são as barreiras não tarifárias e a demora para internalizar compromissos. O acordo para liberalização de compras governamentais do Mercosul, por exemplo, foi celebrado em 2017, mas segue no Congresso. “Entre as propostas para ajudar na maior integração econômica e comercial do bloco, defendemos a participação mais ativa dos setores empresariais na agenda ampla do Mercosul”, afirma Robson Andrade.

Em relação a integração com outros blocos econômicos e países, a CNI considera que a prioridade deve ser a rápida conclusão e a internalização do Acordo Mercosul-União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) – bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Além disso, o setor industrial defende acordos de livre comércio efetivo com os Estados Unidos, além de parcerias com México, Canadá, Reino Unido, América Central e o aprofundamento de acordos com a América do Sul.

A CNI e o Conselho Industrial do Mercosul defendem que a escolha de novos parceiros para a celebração de acordos comerciais deve passar por um processo transparente, com a realização de consultas públicas e análises de viabilidade. A indústria brasileira vê com preocupação negociações com países que não jogam conforme as regras internacionais, como a Coreia do Sul e outros países asiáticos, que aprofundaria uma pauta baseada em commodities, com baixa agregação de valor.

A CNI reconhece que o Brasil também tem de fazer um dever de casa para melhorar a competitividade e integração com o bloco. Um exemplo é ajustar a regra de Preço de Transferência e Acordos Tributários com o praticado na maioria dos países e reduzir o número de tributos sobre as importações de serviços.

Agenda da indústria

– Estabilidade econômica na região para retomada do crescimento;

– Conclusão de acordos comerciais com EU e EFTA e celebrar mais acordos comerciais com Canadá, México, América Central e Caribe, Reino Unido e Estados Unidos;

– Mais integração interna, incorporando acordos parados nos Congressos (compras públicas e facilitação de comércio) e fortalecendo o livre-comércio, a união aduaneira e a participação do setor privado no Mercosul;

– Mais competitividade: Brasil e Argentina são os últimos no ranking de competitividade da CNI. Sem essa competividade, os países não voltaram a atrair investimentos e ampliar o comércio.

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