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ELN anuncia cessar-fogo de dez dias por eleições presidenciais da Colômbia

ELN anuncia cessar-fogo de dez dias por eleições presidenciais da Colômbia

A trégua visa gerar "um ambiente político melhor" "antes de saber quem pode ser o candidato vencedor", disse o Exército de Libertação Nacional (ELN). "Reservamos o direito de nos defender se formos atacados", acrescentou - AFP/Arquivos

A guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou, nesta segunda-feira (16), um cessar-fogo de dez dias para dar “tranquilidade” durante o primeiro turno da eleição presidencial do país, que acontece em 29 de maio.

“Decretamos um cessar-fogo unilateral, a partir da 00h de 25 de maio até as 24h (sic) de 3 de junho, para que quem quiser votar faça isso com tranquilidade”, disse a última guerrilha reconhecida do país, em um comunicado.

Seguindo sua tradição de não interferir em processos eleitorais, a organização comandada por Antonio García assegurou que a decisão responde ao seu interesse em gerar “um ambiente político melhor, antes de saber quem poderá ser o candidato vencedor” de uma campanha liderada nas urnas pelo ex-guerrilheiro Gustavo Petro.

A trégua “abrange as Forças Militares e de Polícia do Governo. Reservamo-nos o direito de nos defender, em caso de sermos atacados”, acrescenta o boletim divulgado nos sites de propaganda rebelde.

Nesta segunda-feira o ministro da Defesa da Colômbia, Diego Molano, esnobou o anúncio do ELN, afirmando que o movimento pretende “se posicionar para futuros diálogos” com o próximo governo.

“Aqui a segurança é da força pública”, enfatizou Molano em um evento público.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, que terminará seu mandato de quatro anos em agosto, interrompeu em 2019 as negociações de paz que mantinha com o ELN, após um ataque com explosivos a uma escola militar em Bogotá.

“Um Processo de Paz com o ELN é a melhor oportunidade de abordar assuntos prioritários para o país como: corrupção, assassinatos de dirigentes sociais e o narcotráfico”, afirmou a guerrilha.

– A paz em campanha –

Cientes de uma intensa e polarizada campanha, os colombianos elegerão o sucessor de Duque, em meio à desaprovação popular e sem opção, por mandato constitucional, de buscar a reeleição.

Todas as pesquisas dão como vencedor o senador e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro, esquerdista de 62 anos que combateu as forças do governo ao lado do grupo M-19 antes de firmar a paz no início dos anos noventa. Porém, não tem o apoio necessário para evitar um segundo turno – programado para 19 de junho.

Seu rival mais provável é o ex-prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, aspirante através de uma coalizão de forças de direita.

Petro é partidário de “reviver o diálogo com o ELN”. Gutiérrez, por outro lado, planeja um combate frontal e, assim como o governo atual, condiciona qualquer aproximação de paz com o cessamento das ações violentas por parte desse grupo, incluindo os ataques contra as forças públicas.

O ELN surgiu em 1964, durante a Guerra Fria, no calor da Revolução Cubana, e opera financiando-se, principalmente, com recursos oriundos do narcotráfico.

O grupo rebelde aceitou negociar com o governo de Santos, Prêmio Nobel da Paz, de maneira paralela às negociações que conduziram ao desarmamento, em 2017, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, marxista), até então a guerrilha mais poderosa do continente.

Após o fim das conversas, retomou sua ofensiva nos últimos anos. O governo Duque tem denunciado que uma parte das tropas rebeldes refugiram para o lado venezuelano da fronteira com a cumplicidade do socialismo chavista.