Eliziane Gama troca PSD pelo PT após escolha de Caiado como pré-candidato

Senadora maranhense se filia ao partido do presidente Lula, após o PSD indicar Ronaldo Caiado à Presidência

Relatora da CPMI do 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama. Ela trocou o PSD pelo PT
Relatora da CPMI do 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama. Ela trocou o PSD pelo PT Foto: Pedro França/Agência Senado

A senadora Eliziane Gama (MA) deixou o PSD e se filiou ao PT na manhã desta quinta-feira, 2, após a confirmação da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República pela sigla. A decisão foi formalizada em Salvador (BA) com a presença do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O que aconteceu

  • A senadora Eliziane Gama (MA) deixou o PSD e se filiou ao PT após a oficialização de Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência.
  • A escolha de Caiado (PSD-GO) representa uma mudança de “trilho” para a sigla, que agora se inclina mais à direita, desagradando membros como a própria Eliziane e Eduardo Leite.
  • Com a saída de Eliziane Gama e Rodrigo Pacheco, a bancada do PSD no Senado diminui, enquanto o PT reforça sua base e a pré-candidatura de Lula.

Lula, que busca a reeleição em outubro, está na capital baiana para visitar obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Eliziane Gama, que sempre fez parte da base governista no Senado, é vista como uma importante ponte da esquerda com a comunidade evangélica, religião da qual faz parte.

O PSD mudou de trilho?

A escolha do PSD pelo governador de Goiás como pré-candidato ao Palácio do Planalto foi um fator determinante na decisão de Eliziane, uma vez que ela é apoiadora de Lula. A expectativa é que Caiado faça uma dobradinha com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para criticar o governo federal, alinhando-se a um discurso mais conservador. Este posicionamento reforça o porquê da escolha do PSD por Caiado, premiando a antecedência e um discurso antipetista.

Para a senadora, o partido tomou um “novo trilho” com esse movimento. Caiado é um nome mais à direita do que os outros dois ex-presidenciáveis da sigla: os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD-RS).

“O PSD decidiu seguir um novo trilho político no País, eu respeito mas tenho um pensamento diferente, que é público no Brasil. Mesmo com todas as garantias recebidas pelo presidente [nacional do PSD] Gilberto Kassab, decido que meu ciclo no PSD se encerra aqui e vou percorrer novos caminhos”, declarou Eliziane em nota pública divulgada na quarta-feira.

Qual o impacto no cenário político?

A escolha por Caiado desagradou outros nomes do PSD. Preterido por Kassab, Leite publicou uma mensagem nas redes sociais em que diz ter conversado com o correligionário para cumprimentá-lo pela candidatura, mas não declarou apoio ao projeto presidencial da legenda.

Com a saída de Eliziane Gama, a bancada do PSD diminui de 13 para 11 senadores. Isso porque o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco também deixou a sigla, filiando-se ao PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin na noite anterior. Pacheco busca o apoio de Lula para sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.

A senadora Eliziane Gama deve marcar nos próximos dias conversas com os novos colegas de partido no Maranhão, principalmente com o vice-governador Felipe Camarão (PT). A troca de siglas não altera o cenário para a parlamentar, que mantém o apoio do presidente Lula. O senador Weverton Rocha (PDT), eleito com Eliziane no Maranhão em 2018, também tentará um novo mandato.