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Elizabeth Warren, uma guinada à esquerda para alcançar a Casa Branca

Elizabeth Warren, uma guinada à esquerda para alcançar a Casa Branca

(Setembro) A senadora democrata Elizabeth Warren participa de ato de campanha em Nova York - AFP/Arquivos

A senadora americana Elizabeth Warren, que já foi uma eleitora republicana, representa a maior esperança da ala progressista dos democratas que sonham em chegar à Casa Branca em 2020.

A pré-candidata, 70, é uma das grandes favoritas para as primárias democratas, e poderá se tornar a encarregada de enfrentar o multimilionário republicano no ano que vem.

“Nosso sistema político funciona para os ricos e pobres, e deixa para trás todos os demais”, costuma repetir. Ela tem um programa progressista, que pode ser considerado de esquerda: luta contra a desigualdade, proteção do direito ao aborto, fim de monopólios, anulação de parte das dívidas estudantis, etc.

A senadora explica que passou para o lado democrata por uma história familiar que nasceu no coração de seu país, Oklahoma, estado com forte herança ameríndia atingido duramente pela pobreza no começo do século XX.

Ainda criança, Elizabeth descobriu a incerteza econômica quando seu pai, o único que ganhava dinheiro em sua família, sofreu um ataque cardíaco e sua mãe salvou a família da pobreza após encontrar um trabalho em que recebia um salário mínimo. Em seus discursos de campanha, a candidata lembra que o salário mínimo talvez já não baste para fugir da pobreza.

Casada pela primeira vez aos 19 anos, Elizabeth abandonou rapidamente os estudos, retomando-os mais tarde, quando, jovem mãe, começou a frequentar escolas noturnas. Estas aulas foram sua “segunda oportunidade”, conta em um anúncio de campanha.

Sua trajetória profissional a levou a ser professora infantil, professora de Direito em Harvard, e senadora em 2013.

Seus três irmãos se alistaram no Exército. “Era seu bilhete de entrada na classe média”, explica Elizabeth. “Hoje, há menos vias para chegar à classe média, e ainda menos segundas oportunidades”, lamenta.

– ‘Popularidade crescente’ –

A senadora conta que se afastou do Partido Republicano em meados dos anos 1990, quando lhe pareceu que o mesmo havia escolhido Wall Street frente a famílias sufocadas por dívidas não por culpa própria, e sim por causa de um sistema tendencioso.

Após se tornar uma especialista em falências, alertou para a crise muito antes de 2008 e foi convocada pelo Congresso para supervisionar o resgate do setor financeiro, antes de inspirar o presidente Barack Obama a criar uma agência de proteção dos clientes bancários.

Elizabeth foi a primeira democrata de peso a anunciar sua pré-candidatura, em 31 de dezembro de 2018, e foi subindo nas pesquisas aos poucos, até chegar ao segundo lugar.

Para financiar as medidas que promove, Elizabeth, que afirma ser “capitalista até a medula”, propõe um imposto sobre as grandes fortunas.

– Mais críticas –

Sua ascensão teve, no entanto, uma consequência menos positiva: as críticas contra Elizabeth se tornaram mais duras. Seus rivais de centro a acusam, por exemplo, de ser muito vaga em relação à sua proposta de reforma do sistema de saúde.

Um possível duelo com Trump poderia ressuscitar, além disso, uma polêmica em que se envolveu durante sua campanha. Após se mostrar orgulhosa, por muito tempo, de sua origem ameríndia, um teste de DNA determinou que esta era uma parte ínfima de seu patrimônio genético.

A senadora, no entanto, conseguiu algo pouco comum entre os rivais de Donald Trump: que este lhe dedicasse palavras elogiosas. “Renasceu das cinzas, reconheço”, declarou o presidente no mês passado, ao canal Fox News. “Mas não gosto de falar sobre isso.”