Cultura

Elenco vira avatar no game-teatro ‘Ôma’

A ameaça da pandemia ao financiamento dos festivais também aponta para um futuro de possibilidades. Esse é um dos motivos para que a edição deste ano do Brasil Cena Aberta não fosse cancelada.

Entre os dias 2 e 4, a programação especial, transmitida diretamente do Teatro Cacilda Becker, reúne exibição de espetáculos de dança e teatro, debates, oficinas e feira de livros.

Assim como o festival Cena Contemporânea, o Brasil Cena Aberta também esbarrou em percalços durante a fase mais rígida de confinamento, mas conseguiu redesenhar sua programação, que antes seria presencial, como conta Andrea Caruso Saturnino, diretora do evento. “Sem a chance dos encontros no teatro, nos antecipamos para ampliar o número de parceiros, entre eles artistas, curadores e diretores internacionais, que enfrentam o mesmo que nós”, conta. “Entre cancelar e não ter nada, preferimos seguir em frente. Isso foi bom.”

A perspectiva de dialogar com a cena internacional, principal foco da mostra, serviu para perceber o impacto da pandemia no segmento e redefinir ideias de superação. “No começo da pandemia, a intuição era se voltar para o local, mas sabemos que isso não é possível”, afirma Andrea. “É preciso circular ideias, textos, artistas, não só mercadoria.”

Parte dessa articulação se fez com uma geração mais nova de artistas, que pensa o teatro e a dança aliados às tecnologias, como é o caso de Ôma, um ex-petáculo, da companhia ultraVioleta_s, com sessões apresentadas entre os dias 3 e 7 de dezembro.


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Longe de ser teatro, mas também distante de ser apenas um jogo, Ôma recria o universo dos jogos de RPG, em que o jogador pode escolher um personagem – nesse caso, Lala ou Tetê – e se aventurar em uma narrativa. Em Ôma se trata de um mundo que todo mundo conheceu em 2020: o confinamento da pandemia.

Em seus últimos espetáculos, a companhia estreou Adeus Palhaços Mortos e Há Dias que Não Morro, com um trio de personagens refém de uma simulação virtual que se confunde com a vida rotineira. Um Black Mirror nos palcos. Para a atriz da companhia Aline Olmos, o novo Ôma prossegue a pesquisa do grupo em sua Tetralogia da Morte, dessa vez, em um mundo rodeado de fake news. “Agora estamos falando da morte da comunicação. Como o confinamento deixou as pessoas ansiosas e inseguras sobre o que está acontecendo no mundo.”

Apesar da seriedade do tema, o grupo traz o mesmo humor clownesco capaz de divertir. Ao acessar o jogo, o público pode treinar em um tutorial com os primeiros passos, no comando de uma galinha. “Não queríamos levar o espetáculo para o vídeo porque consideramos que a tela ficou saturada na pandemia, com o número de lives e transmissões”, diz a atriz Laíza Dantas, que assina o roteiro com Aline, Tetembua Dandara e Paula Hemsi.

Em seguida, o participante pode escolher uma das duas personagens. Para representar Lala, uma menina branca, não houve tantos problemas gráficos, mas a representação de Tetê precisou ser repensada, quase um ‘bug do sistema’, defende sua intérprete. “Animes e mangá não incluem outros corpos, como o negro. O meu avatar precisou ser redesenhado, os cabelos, os lábios, para parecer comigo”, conta.

A trilha sonora de Ôma parece expandir a linguagem de clown nas distorções de voz, assinadas por Paula Mirhan. “São ecos, repetições, e mudanças no tom.”

Envolto em nostalgia, Ôma colore à solidão do confinamento e das tarefas domésticas. Um caminho em direção à vida inteligente. Nem que seja artificial.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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