Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira (27) em uma eleição parlamentar considerada decisiva para o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A votação ocorre em meio a questionamentos sobre a condução dos conflitos no Oriente Médio, a segurança nacional e a responsabilidade do governo pelos acontecimentos de 7 de outubro de 2023.
O pleito é visto como uma espécie de referendo sobre a permanência de Netanyahu no poder, embora os eleitores não escolham diretamente o primeiro-ministro.
A disputa acontece em um cenário de forte polarização e pode resultar em semanas de negociações para a formação de um novo governo.
As pesquisas indicam uma competição apertada entre o bloco de Netanyahu e partidos de oposição, sem garantia de maioria parlamentar para nenhum dos lados.
Como funcionam as eleições em Israel?
Diferentemente do sistema presidencial brasileiro, Israel adota um regime parlamentarista.
Os eleitores votam em listas partidárias para definir a composição do Knesset, o Parlamento israelense, formado por 120 deputados.
Para formar um governo, é necessário reunir o apoio de pelo menos 61 parlamentares.
Como dificilmente um único partido conquista essa quantidade de cadeiras, a formação de coalizões é fundamental.
Após a apuração dos votos, o presidente israelense consulta representantes dos partidos e escolhe um parlamentar para tentar formar um governo.
O processo pode levar semanas e depende de acordos entre legendas com posições políticas distintas.
Netanyahu enfrenta um dos maiores desafios de sua carreira
À frente do partido Likud, Benjamin Netanyahu tenta conquistar apoio suficiente para permanecer no cargo.
O premiê enfrenta críticas relacionadas às falhas de segurança que antecederam os ataques realizados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, além de questionamentos sobre a condução das operações militares posteriores.
A oposição acusa o governo de não ter assumido plenamente a responsabilidade pelas falhas que permitiram a ofensiva.
Netanyahu, por sua vez, apresenta sua experiência política e sua atuação na área de segurança como argumentos para continuar liderando o país.
A eleição também ocorre em meio a pressões internacionais sobre a situação humanitária na Faixa de Gaza e o futuro das relações de Israel com seus aliados.
Quem são os principais adversários de Netanyahu?
Um dos nomes centrais da oposição é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel.
Eisenkot lidera o partido centrista Yashar e defende mudanças na condução política do país, com maior responsabilização pelas falhas de segurança.
Outros líderes também disputam espaço, entre eles o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e representantes de partidos de centro, esquerda e direita nacionalista.
A fragmentação do cenário político torna difícil prever quem terá condições de reunir uma maioria parlamentar.
Mesmo que o Likud termine a votação entre os partidos mais votados, isso não garantirá automaticamente a permanência de Netanyahu como primeiro-ministro.
Segurança e serviço militar dominam campanha
A segurança nacional ocupa o centro do debate eleitoral.
Os ataques de outubro de 2023, os confrontos posteriores e as tensões regionais continuam influenciando as decisões dos eleitores.
Outro tema importante é a obrigatoriedade do serviço militar para integrantes da comunidade judaica ultraortodoxa.
Netanyahu mantém alianças com partidos religiosos que defendem isenções para determinados grupos.
Adversários políticos argumentam que a distribuição das obrigações militares deve ser revista, especialmente depois dos prolongados conflitos enfrentados pelo país.
A questão pode ser decisiva nas negociações para a formação da próxima coalizão.
O que pode acontecer depois da votação?
O resultado da eleição não necessariamente definirá imediatamente quem será o próximo primeiro-ministro.
Caso Netanyahu consiga reunir pelo menos 61 deputados, poderá formar uma nova coalizão e continuar no cargo.
Se os partidos de oposição alcançarem apoio suficiente, um novo governo poderá ser constituído.
Também existe a possibilidade de nenhum dos blocos conseguir maioria, provocando negociações prolongadas e até uma nova eleição.
A composição final do Parlamento será determinante para definir os próximos passos.
Eleição terá repercussões internacionais
O resultado também poderá influenciar a política externa israelense.
O futuro da Faixa de Gaza, a relação com os Estados Unidos, as tensões com o Irã e a situação dos territórios palestinos estão entre os temas que deverão permanecer na agenda do próximo governo.
A comunidade internacional acompanha a votação diante da importância de Israel para a estabilidade do Oriente Médio.
Independentemente do vencedor, o novo governo enfrentará o desafio de conciliar segurança, pressões diplomáticas e profundas divisões internas.
Da IstoÉ