Colômbia define novo presidente neste domingo em disputa que opõe Petro e Trump

Candidatos Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella disputam votos em pleito polarizado pela segurança e economia

Colômbia define novo presidente neste domingo em disputa que opõe Petro e Trump

As eleições na Colômbia chegam ao segundo turno neste domingo, em um confronto direto que polariza o país. De um lado, o esquerdista Iván Cepeda, senador veterano e candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, busca dar continuidade ao projeto governista. Do outro, Abelardo de la Espriella, advogado da extrema direita, desponta como favorito após vencer o primeiro turno e receber apoio público do ex-presidente norte-americano Donald Trump.

O que aconteceu

  • A eleição presidencial na Colômbia chega ao segundo turno, com disputa acirrada entre Iván Cepeda (esquerda) e Abelardo de la Espriella (extrema direita).
  • O pleito é marcado pela interferência do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que abertamente apoia o candidato de extrema direita.
  • A questão da segurança pública, marcada pela crescente violência, tornou-se o principal fator que impulsionou a candidatura de Espriella.

A entrada de Donald Trump na campanha em favor de Espriella segue um padrão de intervenção em eleições regionais desde seu retorno à Casa Branca. O resultado deste pleito é visto por analistas como um possível marco para o avanço da direita na América Latina, reconfigurando o cenário político do continente.

A imprensa colombiana descreve a disputa como a mais antagônica da história recente do país, refletindo uma polarização profunda. Abelardo de la Espriella, de 47 anos, é um empresário sem experiência política prévia, cidadão naturalizado dos Estados Unidos, ex-residente de Miami e republicano registrado. Ele se apresenta como um “salvador anti-establishment” e defende uma linha-dura no combate ao crime organizado, cortes de programas governamentais e impostos, além da retomada da exploração de petróleo. Admirador declarado de Trump e do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, Espriella prometeu uma ofensiva militar e a construção de dez megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou em seu discurso.

Como a segurança pública impulsiona a eleição colombiana?

Foi justamente a escalada da violência que impulsionou a candidatura de Espriella no primeiro turno, surpreendendo analistas políticos e o próprio campo petista. Pesquisas de opinião revelam que a segurança pública é a principal preocupação dos colombianos, superando até mesmo a economia. Esta, por sua vez, encontra-se fragilizada pelos impactos da pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o governo atual ter elevado o salário mínimo nominal em 75% e reduzido o desemprego.

O analista político Eduardo Pizarro, em declaração à agência Reuters, destaca o aumento da percepção de insegurança nas cidades, com extorsões e pequenos delitos, e a expansão de grupos armados em áreas rurais. “A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, afirmou Pizarro, ressaltando o peso decisivo do tema na escolha dos eleitores.

Em contrapartida, Iván Cepeda, filósofo de 63 anos e senador conhecido por sua defesa dos direitos humanos, aposta em um caminho oposto. Sua plataforma propõe dar continuidade às negociações de paz com grupos armados que combatem o Estado há décadas. Para reforçar essa promessa, na sexta-feira, 19, o governo colombiano anunciou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro. Cepeda, que liderava as pesquisas antes do primeiro turno, herdou o desgaste do governo Petro nas áreas de segurança pública e economia, o que afetou seu desempenho inicial.

A polarização e os temores pós-eleição

A vitória de Espriella no primeiro turno foi tão inesperada que o presidente Gustavo Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Cepeda. Essa contestação elevou as tensões e alimentou temores de que o governo Petro reivindique a eleição em caso de uma nova derrota. Diante do cenário de incertezas, o Tribunal Eleitoral colombiano fez um apelo neste domingo para que todas as partes respeitem o resultado oficial.

As autoridades temem que uma nova contestação incentive protestos e amplie episódios de violência que já marcaram o processo eleitoral. No ano passado, o candidato da direita Miguel Uribe, um dos favoritos nas pesquisas, foi assassinado durante um comício, evidenciando a fragilidade e os riscos inerentes à política colombiana.

Para o segundo turno, as pesquisas colocam Espriella à frente. Levantamento do instituto Guarumo/Ecoanalítica para o jornal El Tiempo projeta 52,6% dos votos para o candidato da extrema direita, contra 45% de Cepeda. As urnas abriram às 10h, pelo horário de Brasília, com cerca de 40 milhões de eleitores aptos a votar. O resultado oficial pode ser conhecido ainda neste domingo.