Lula e Flávio Bolsonaro travam confronto em eleições de alta tensão no Brasil

Polarização eleitoral e temores de instabilidade marcam o pleito entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio Bolsonaro travam confronto em eleições de alta tensão no Brasil

Da IstoÉ com ANSA – O Brasil se encontra em uma encruzilhada política e eleitoral. Os eleitores vão às urnas neste domingo (4) para escolher o próximo presidente em meio a um cenário de grande polarização e confronto direto entre o atual ocupante do cargo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o desafiante Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. A tensão é palpável, com receios de que a eleição possa desencadear confrontos.

 

A tensão é elevada, alimentada pelo temor de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recuse a reconhecer os resultados do pleito e de que a situação possa degenerar em confrontos de rua entre as duas facções políticas.

Não há diálogo entre os dois candidatos – apenas insultos. Tanto que, pela primeira vez na história da democracia brasileira, o tradicional debate televisivo, geralmente transmitido ao vivo pela TV Globo, a emissora mais assistida do país, foi cancelado. Em vez de se enfrentarem na televisão, os dois vêm trocando ataques à distância. “Vil, covarde”, disparou Flávio Bolsonaro. “Desqualificado; você não tem passado nem futuro”, rebateu Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um segundo turno é inevitável?

Se nenhum dos candidatos obtiver a maioria dos votos no domingo, um segundo turno será realizado três semanas depois, em 25 de outubro. No momento, esse parece ser o cenário mais provável: segundo a última pesquisa Datafolha, Lula registra 45% e Flávio, 40% dos votos válidos no primeiro turno.

No entanto, os demais candidatos, de menor expressão eleitoral, tendem à direita, sugerindo um empate técnico no decisivo segundo turno. O 40º presidente do Brasil poderá, assim, ser eleito por uma margem mínima de votos.

Essa profunda incerteza quanto ao resultado final já está contaminando o clima político e social. Há receio de reviver os dias dramáticos que se seguiram à votação de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) e outros extremistas atacaram e vandalizaram prédios públicos em Brasília, em uma tentativa violenta de derrubar o presidente democraticamente eleito.

Qual a postura de Washington?

Desta vez, uma das grandes incógnitas é a postura de Washington. Muitos se perguntam se Donald Trump – caso seu candidato de preferência seja derrotado – aceitará o resultado da eleição. Tentativas de interferência dos EUA na campanha e supostos financiamentos americanos à extrema-direita já estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República.

Lula tem falado abertamente sobre isso: “O Brasil está mais do que pronto para agir caso os Estados Unidos e outros países da região não reconheçam a vitória de domingo”, afirma ele repetidamente em seus comícios.

No entanto, preparativos para o pior cenário já estão em andamento em Brasília: funcionários da Embaixada dos EUA foram orientados a não comparecer presencialmente ao trabalho após uma ameaça recebida pela missão diplomática. Embora a natureza da ameaça não tenha sido divulgada, um e-mail foi enviado à equipe determinando o trabalho remoto durante todo o dia.

A Austrália também decidiu fechar sua embaixada por motivos de segurança, citando risco de terrorismo às vésperas das eleições. Paralelamente, um alerta de bomba foi acionado na capital federal depois que um homem arremessou uma mochila em direção a um ponto de ônibus próximo ao prédio do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, tratou-se de um alarme falso, tendo em vista que a bolsa continha apenas roupas. Ainda assim, o episódio sinaliza uma preocupação crescente com o que poderá acontecer nas próximas semanas.

 

Leia também;

Jaecoo 5 estreia como SUV compacto híbrido mais potente do Brasil e tem preço de T-Cross

Invasão chinesa: Ford Territory, Maverick e F-150 Lariat ficam até R$ 25 mil mais baratos