Os colombianos foram às urnas neste domingo, 31, para escolher o sucessor do presidente Gustavo Petro. A votação do primeiro turno, que teve início às 10h, ocorre em meio a um cenário de forte polarização política, aumento da violência e crescentes preocupações com a segurança pública no país. Ao todo, 11 candidatos disputam a Presidência da Colômbia.
+ Congresso dividido antecipa batalha pela presidência na Colômbia
+ Partido de Petro mantém liderança no Senado em eleições legislativas
O que aconteceu
- A eleição na Colômbia para o sucessor de Gustavo Petro ocorreu neste domingo, 31, em um ambiente de forte polarização e violência.
- O atual presidente Petro não pode concorrer à reeleição, mas busca transferir seu capital político para o senador de esquerda Iván Cepeda.
- A segurança pública se tornou a principal preocupação dos eleitores, influenciando o debate eleitoral e fortalecendo candidatos de direita.
Pela Constituição colombiana, Petro não pode concorrer à reeleição. Ele ocupa o cargo desde 2022 e tenta transferir seu capital político para um aliado do campo progressista. Contudo, seu governo enfrenta desgaste provocado pelas dificuldades no combate ao crime organizado e pelo agravamento dos conflitos armados em diferentes regiões do país.
Contexto de polarização e violência
A campanha eleitoral foi marcada por episódios de violência. Nos últimos meses, ataques e assassinatos relacionados ao ambiente político ampliaram a sensação de insegurança entre os eleitores. Durante a pré-campanha, um dos nomes cotados para disputar a Presidência morreu após sofrer um atentado.
Paralelamente, a tensão na fronteira com o Equador também ganhou espaço no debate eleitoral, diante das operações militares conduzidas pelo governo equatoriano contra organizações criminosas que atuam na região.
Candidatos e estratégias
Três candidatos aparecem como os principais postulantes ao cargo. O senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado por Petro, lidera parte das pesquisas de intenção de voto. Na direita, despontam o advogado Abelardo de la Espriella e a senadora conservadora Paloma Valencia.
Os levantamentos mais recentes, porém, indicam que nenhum dos candidatos deve alcançar os 50% dos votos válidos necessários para vencer ainda no primeiro turno. Com isso, a expectativa é de que a disputa seja definida em uma segunda rodada, marcada para o dia 21 de junho.
Cepeda defende a continuidade das políticas sociais implementadas pelo atual governo. Desde a posse de Petro, a Colômbia registrou aumento nominal de 75% no salário mínimo e redução dos índices de desemprego. As medidas, contudo, também ampliaram o déficit fiscal e geraram questionamentos sobre a capacidade do Estado de sustentar os programas sociais nos próximos anos.
Como a segurança pública molda a eleição colombiana?
Apesar do debate econômico, a principal preocupação dos eleitores continua sendo a segurança. Pesquisa divulgada neste mês pelo instituto Invamer aponta que 40% dos colombianos consideram a violência e a criminalidade o maior problema do país. Questões ligadas ao desemprego e à economia aparecem apenas na quarta posição, com 11% das respostas.
É justamente nesse ambiente de insegurança que os candidatos de direita ganharam força durante a campanha, transformando a eleição em uma disputa direta entre a continuidade do projeto político de Petro e a promessa de endurecimento no combate ao crime organizado.