Coluna: Ricardo Kertzman

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.

Eleição americana: Bolsonaro não tem medo de Joe Biden; explico por quê

MANDEL NGAN / AFP
Bolsonaro nos EUA Foto: MANDEL NGAN / AFP

Chegou o grande dia! O mundo irá conhecer o próximo presidente da maior potência econômica e militar do planeta. Com expectativa de recorde de votos, os americanos decidirão se o bufão troglodita (mas eficientíssimo na condução econômica) Donald Trump se manterá no poder por mais quatro anos, ou se o democrata bonachão Joe Biden retomará a Casa Branca para os jumentos (símbolo do partido dele). As pesquisas indicam a vitória do segundo, mas pesquisas erram. E, nos Estados Unidos, ter a maioria dos votos não significa ter a vitória.

Ao Brasil, em termos práticos, pouco importa o resultado. Se Trump vencer, continuaremos sabujos às suas vontades. O que parece hoje ser uma relação bilateral, um jogo de ganha, ganha, é tão somente o Brasil de joelhos perante os EUA. Não por vocação de vira-lata, mas por sermos, como definiu um chanceler israelense, um “anão diplomático”. Trump pode até ser – e é! – simpático ao amigão do Queiroz, mas nunca cederá nem meio milímetro dos seus interesses em prol do Brasil. Ele é um viciado em vencer, e com requintes de crueldade.

Caso Biden vença, “no problem at all”. O democrata irá, sim, pressionar o Brasil na questão ambiental. Poderá também nos causar problemas (mais?) com os europeus. Mas e daí? Já somos insignificantes o suficiente. Somos apenas o 15oº parceiro comercial dos americanos, com risíveis US$ 33 bilhões em negócios este ano. Por outro lado, os EUA são o nosso segundo maior parceiro comercial. E, como quem paga manda e quem recebe, obedece, sempre!, continuaremos a dizer “amém” para os Estados Unidos da América.

Do contrário, a ruína é certa e será absoluta. Nossa economia já está em frangalhos. O dólar está a quase R$ 6. Se nossa balança comercial afundar de vez, este governo não termina o mandato. Nosso maior parceiro comercial é a China, dia sim, dia também atacada pelos bolsonaristas. A Argentina, pobre coitada, encontra-se falida e mal paga, se é que entendem a “pegadinha”. Romper com os EUA – e consequentemente com a UE – será como atirar gasolina nas queimadas-que-não-existem do Pantanal e da Amazônia.

E Bolsonaro? Bem, fará o que sempre fez: enfiará o rabicó entre as pernas e desdirá o que disse; ele e seus aloprados são tigres de papel: rugem muito, mas não mordem ninguém. Tão logo Biden – caso vença – estale os dedos, correrá para exercer o eterno papel de “bibelô de quem pode mais”. E dirá que o democrata é bacana, que errou ao apoiar Trump, e sua malta na internet louvará “graças ao estadista”. Como eu sei? Ora, não foi o que fez com o Centrão, com Rodrigo Maia, com Davi Alcolumbre, com Dias Toffoli, com Gilmar Mendes etc.?

Não duvidem: se Joe Biden vencer, é capaz de o nosso Capitão Cloroquina se filiar ao Greenpeace e comparecer à posse do democrata, trajando uma camiseta vermelha com a inscrição “save the Amazon rainforest”. E, em vez de arminha, fará coraçãozinho com as mãos. Tudo sob os aplausos da manada, é claro, para a ira dos olavistas e olavetes e deleite dos que podem dizer: “eu avisei”.