Edição nº2497 20.10 Ver edições anteriores

Ela venceu a corrida contra o preconceito

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DOIS TEMPOS Kathrine Switzer na maratona de Boston, na semana passada, e em 1967 (abaixo): aplausos no lugar e tapas e empurrões

Há meio século, o número 261 entrou para a história na luta das mulheres pelos direitos civis nos EUA – e, consequentemente, em diversos países nos quais também se levantavam bandeiras a favor da isonomia social na questão de gênero. Era ele, o 261, que estava estampado no moletom de Kathrine Switzer, que ousara se inscrever e participar da famosa maratona de Boston. Para driblar o regulamento que proibia a presença feminina, Kathrine se inscreveu na prova usando apenas as iniciais K.V, inspiração que lhe veio ao lembrar-se que alguns escritores famosos assinavam seus livros dessa maneira (T. S. Eliot e J. D. Salinger, por exemplo). Dito e feito: o seu nome passou como sendo o de um homem, recebeu como número de inscrição o tal 261 e os fiscais só deram conta do equívoco com a competição já iniciada. O que se viu a seguir foi o mais lamentável preconceito, quando tentaram impedi-la, 68com tapas e empurrões, de  continuar na corrida. Na semana passada, outros tempos, outros conceitos – e bem melhor assim. Aos 70 anos de idade, Kathrine Switzer esteve novamente na maratona, foi aplaudida do começo ao fim como símbolo da luta contra toda e qualquer desigualdade (ela sempre teve uma visão bem mais ampla dessa questão de gênero, ao contrário da pregação estreita de muitas feministas nos dias atuais), e completou os 42.195 metros da prova em 4h44min31s. Detalhe: usou o mesmo 261 do passado. Kathrine já disputou 39 maratonas, e em 1974 foi a grande vencedora da competição em Nova York. Em um artigo publicado pelo jornal “The New York Times”, ela escreveu: “Pouca gente imaginaria que a maratona feminina se tornaria uma das modalidades com maior glamour nas Olimpíadas”.

manifestantes contrários ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foram mortos em 3 semanas pelas milícias bolivarianas (cerca de 500 mil civis mercenários, armados e pagos pelo governo). Nos confrontos, também morreu um agente das forças regulares de segurança. A principal reivindicação dos opositores é a convocação de eleições.

BRASÍLIA
Srs. senadores, mantenham a decência

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A CCJ do Senado vota na quarta-feira 26 o projeto sobre crime de autoridade – por decisão oportunista de parlamentares, ele passou a integrar a lei anticorrupção. O senador Roberto Requião parece contrário a emenda da desfaçatez (propõe punir o juiz de primeira instância que tiver sua decisão reformada em instância superior), mais isso ainda é pouco. Os senadores têm em mãos a chance de mostrar que possuem decência derrubando a própria lei em sua totalidade. Na Câmara, 80% dos deputados da lista de Edson Fachin votaram a favor dela. Por que será? Se a lei passar, é um míssil na Lava Jato.

PERSONAGEM
Bill Gates socorre o Brasil
65Bill Gates é o homem mais rico do mundo (US$ 29,5 bilhões). Olhou para o estado da saúde pública no Brasil e decidiu nos ajudar contra o Aedes aegypti (transmite zika, dengue, chikungunya e febre amarela). Está investindo US$ 18 milhões em laboratórios dos EUA que modificam geneticamente o mosquito. Testes com esses insetos estão sendo feitos em subúrbios cariocas.

COMPORTAMENTO
O preço do assédio

70O canal de notícias americano Fox News não titubeou em demitir o seu maior astro: o apresentador Bill O’Reilly. Fez isso assim que se tornaram públicas as denúncias de assédio sexual contra ele. O’Reilly firmou acordos para evitar processos: cinco mulheres receberam US$ 13 milhões para retirarem as acusações.

JUSTIÇA
Só mesmo no Brasil, só mesmo no Rio

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Diante de alguns absurdos, fala-se: “só mesmo no Brasil”. Dessa vez, o absurdo é tão grande que o certo é dizer: “só mesmo no Rio”. O MP denunciou por homicídio doloso o cabo Fábio de Barros Dias e o sargento David Gomes Centeno. O mesmo MP, no entanto, pediu que a Justiça os soltasse para aguardarem o júri em liberdade. A Justiça os libertou. Detalhe: os réus em questão aparecem em vídeo (frise-se, aparecem em vídeo), executando dois homens deitados no chão. Se diante das imagens não se justifica a prisão preventiva, então que sejam soltos todos os presos provisórios. É só um lembrete sobre isonomia.

 


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