El Niño pode gerar calor extremo no Brasil e alta no preço de alimentos

Aquecimento pode agravar eventos climáticos e prejudicar custo de vida da população brasileira

Rio Grande do Sul
Regiões do Rio Grande do Sul foram atingidas por enchentes entre abril e maio de 2024 Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

De acordo com uma nota técnica divulgada pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a segunda metade de 2026 deverá ser marcada pelos impactos do fenômeno climático El Niño. O documento alerta que há mais de 80% de probabilidade de ocorrência do evento, possivelmente a partir do trimestre agosto-outubro, com intensidade estimada entre moderada e forte.

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No final de março deste ano, o Pacífico Equatorial estava em transição do fim do ciclo de La Niña para a fase neutra. A tecnologia utilizada no monitoramento climático e meteorológico — com o apoio de plataformas de observação na superfície (navios e boias) e satélites — permite acompanhar em tempo real o desenvolvimento do El Niño.

Os levantamentos da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) indicam um aquecimento gradual das águas do Pacífico Equatorial até o final de 2026. No entanto, ainda há um grau significativo de incerteza, especialmente por se tratar de uma previsão de longo prazo. Embora alguns cenários apontem para a possibilidade de um evento forte, essa hipótese permanece especulativa e a intensidade exata ainda não pode ser definida com segurança.

O que é o El Ninõ

O El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico complexo, identificado, principalmente, pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Tropical, nas regiões central e centro-leste, próximas ao Equador e ao Peru. Ele integra o chamado ciclo El Niño-Oscilação Sul, que também possui fases neutras e de resfriamento (a La Niña), podendo ocorrer a cada 2 a 7 anos.

Esse aquecimento impacta na circulação atmosférica global, alterando padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo. O mais recente começou ao longo de 2023 e perdeu força apenas no primeiro semestre de 2024.

O que o El Ninõ pode causar

Os impactos mais sintomáticos do El Niño se manifestam de formas distintas nas diferentes regiões do Brasil. No Sul, geralmente há maior risco de chuvas extremas, deslizamentos e enchentes. Já no Norte e Nordeste do país, o agravamento da seca e o maior risco de incêndios são os cenários mais prováveis a serem enfrentados pela população local. A área central do país deverá registrar ondas de calor mais frequentes e baixa umidade. O Cemaden reforça que as previsões serão atualizadas à medida que novos dados estiverem disponíveis.

Impactos

Saúde e bem-estar físico: A população deve enfrentar um “desastre térmico”, com longos períodos de calor acima do nível de conforto humano. As noites mais quentes dificultam a recuperação do corpo, aumentando os riscos à saúde, especialmente entre idosos e grupos mais vulneráveis.

Custo de vida e economia doméstica: O calor intenso impacta diretamente o orçamento das famílias, com aumento no uso de ar-condicionado e, consequentemente, na conta de luz. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos prejudicam a produção agrícola, elevando os preços de alimentos como frutas, legumes e verduras.

Aumento das desigualdades sociais: Em temperaturas acima de 35°C, ventiladores deixam de ser eficazes, tornando o ar-condicionado quase indispensável. Isso amplia as desigualdades, já que nem todas as pessoas têm acesso ou condições de arcar com esse tipo de equipamento.